Duas perguntas/ Doug Jones

Duas perguntas/ Doug Jones

postado em 01/02/2018 00:00
 (foto: Tibrina Hobson/AFP 
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(foto: Tibrina Hobson/AFP )


Você já interpretou várias criaturas em filmes de del Toro. Como sentiu o roteiro e o que empregou na elaboração da criatura específica de A forma da água?
Quando li o script pela primeira vez, apertei contra o peito e pensei: ;É lindo!”. Quando você vê a coisa toda finalizada, com as guelras da criatura; as guelras, na verdade, criam um elemento distinto da silhueta para a parte superior do personagem. Ela remete um pouco a O monstro da lagoa negra, o filme favorito de Del Toro. Há algo nas bestas aquáticas que ele simplesmente adora. Em Hellboy 2, quando interpretei o Abe Sapien, mais um homem-peixe para Del Toro, houve um momento das filmagens em que a luz de fundo atrás de mim estava acesa e minhas guelras estavam se movendo, porque elas também funcionavam com baterias. Del Toro falou ; ;Tem alguma coisa com a maneira como a luz atravessa as guelras que faz meu coração vibrar;. Foi quando percebi: ele tem um verdadeiro caso de amor com as bestas aquáticas.



Existe um esforço consciente para não repetir o que você fez com o Abe Sapien em Hellboy?
Com certeza. Para mim, existe. Porque eu conheço o Abe tão bem. O Abe era mais artístico, mais intelectual, mais conservador. Ele adotava uma postura tão elegante para si que poderia ser um mordomo em uma grande mansão, em Downton Abbey. Ao passo que este homem-peixe não fala. O filme não dá a sensação de ser um filme de gênero como foi Hellboy. Neste sentido, é uma história muito real de 1962. Está acontecendo de verdade. Sou uma criatura que realmente foi encontrada no Rio Amazonas. Com isso, deve surgir um sujeito menos fanfarrão, menos caricaturesco e mais real. Ok, para mim estava ótimo, eu estava feliz, nadando nas águas do rio. Provavelmente, sou o último da minha espécie. Sou um tipo de raridade. Pode ter havido mais criaturas iguais a mim em algum momento. É isso que eles estão testando e tentando descobrir.



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