Congresso em ritmo de espera

Congresso em ritmo de espera

Temer já despacha hoje em Brasília e líderes da Câmara chegam amanhã. Mas conversas mais decisivas ficam para a próxima semana, incluindo a do diretor da PF com o ministro Barroso, no STF, sobre o inquérito que investiga corrupção no porto de Santos

Simone Kafruni
postado em 14/02/2018 00:00
 (foto: Secom Salvador/Divulgação)
(foto: Secom Salvador/Divulgação)

Pouco deve ser resolvido, em Brasília, nos dias que sobram nesta semana após o carnaval. Discussões sobre temas mais espinhosos, como a votação da reforma da Previdência e as declarações do diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, sobre o inquérito que envolve o presidente Michel Temer, só devem se intensificar a partir de segunda-feira. Apesar de o presidente Michel Temer ter despachos internos no Palácio do Planalto às 14h desta Quarta-Feira de Cinzas e uma viagem para Campinas (SP), marcada para amanhã, a articulação sobre a reforma previdenciária será mais incisiva apenas na próxima semana, garantiu o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun.

;Teremos poucos deputados em Brasília nestes dias pós-carnaval. Aguardamos a chegada mais consistente a partir de segunda-feira;, afirmou Marun. ;Obviamente, aproveitando a presença, em Brasília, do presidente da República, Michel Temer, e de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, que são os dois grandes os protagonistas da reforma da Previdência, nós vamos nos reunir e trocar ideias, mas uma ação mais incisiva, somente na semana que vem;, reiterou Marun.

O deputado Beto Mansur (PRB-SP), vice-líder do governo na Câmara, é o mais otimista. ;Eu não parei de trabalhar durante o carnaval. Estou constantemente ligando para os deputados, sobretudo, os indecisos. Isso vai se intensificar. Pretendo começar as reuniões amanhã (hoje), porque a ideia é votar a reforma até o fim do mês;, disse. A empolgação de Mansur, no entanto, não encontra ressonância em outras lideranças e tampouco no histórico do debate da reforma.

Em dezembro do ano passado, às vésperas do recesso parlamentar, Rodrigo Maia dizia que a votação era uma possibilidade ;realista;. Acabou ficando para fevereiro. Depois, Maia afirmou que o início da discussão seria em 5 de fevereiro e a votação, em 19 de fevereiro. Agora, a expectativa é de votar a matéria em 28 de fevereiro.

Seja qual for, o debate só deve começar na semana que vem, conforme o líder do governo na Câmara, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB). ;A maioria dos deputados volta na segunda-feira. Como Maia chega já nesta quinta, acho que devemos fazer uma avaliação do quadro até o fim de semana. O carnaval sempre dispersa bastante, mas a ideia é recomeçar a articulação;, assinalou.
Maia recebe amanhã na Câmara secretários de Fazenda de estados, com os quais vai discutir a reforma.

O líder do PTB na Câmara, deputado Jovair Arantes (GO), afirmou que o partido só vai discutir como deve votar a reforma da Previdência na semana que vem. A legenda aguarda a definição do nome para o ministério do Trabalho. ;Isso está nas mãos da Cármen Lúcia. Vamos aguardar;, ressaltou.
Outro assunto que vai retomar a polêmica na próxima semana é a declaração do diretor-geral da PF, Fernando Segóvia, de possível arquivamento da investigação que envolve o presidente Temer. Segóvia tem uma audiência, segunda-feira, com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, relator do inquérito. O ministro exigiu esclarecimentos do diretor-geral da PF sobre sua postura em emitir opinião a respeito de uma investigação ainda em curso.

Maia reafirma ser um nome ao Planalto

Possível concorrente ao Planalto em 2018, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), esteve em Salvador ontem a convite do prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM-BA). Tanto Maia quanto o prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB-SP) ; que também estava presente, viajaram no avião da Força Aérea Brasileira (FAB). Na segunda-feira, o presidente da Câmara também esteve na Marquês da Sapucaí, no Rio de Janeiro, onde negou a possibilidade de o apresentador Luciano Huck sair como candidato à Presidência da República em seu partido. Em território baiano, ele confirmou o discurso feito aos cariocas e disse que ;o DEM vai ter alguém para a disputa presidencial e que o pré-candidato será lançado em março;.

A visita dos políticos foi, além de uma cortesia a ACM, um teste de popularidade. Doria e Maia têm interesse em vislumbrar possibilidades reais de eleição. ;O nome colocado, certamente, tendo chances de ganhar, sem ser aventura, concorrerá sem nenhum constrangimento. O DEM tem bons nomes, tem o prefeito (ACM Neto), o ministro da Educação (Mendonça Filho) e, certamente, o meu. Isso não vai contra um caminho de mudança que a política brasileira precisa. Tenho certeza de que o partido vai fortalecer seu candidato, qualquer que seja ele;, afirmou Rodrigo Maia.

Apoios
Já Doria, que luta pelo apoio de seu partido em uma provável campanha ao governo do estado, evitou falar sobre detalhes da negociação para filiar o vice-governador de São Paulo, Márcio França (PSB), ao PSDB. A ideia é liderada por aliados do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP, que poderia apoiar França ao governo. Na ida a Salvador, Doria envia o recado aos tucanos de que conta com o apoio do DEM na disputa. ;Não tenho restrição nenhuma ao nome dele. O PSB faz parte da base do nosso governo na prefeitura de São Paulo. Se ele quiser se filiar, será muito bem-vindo. Mas, uma vez dentro do partido, terá de enfrentar as prévias;.

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