ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 14/02/2018 00:00
A transição é o caminho

Exemplos, em todo tempo e lugar, têm comprovado, de forma incisiva, que sectarismo de qualquer espécie provoca dor, mortes e, não raro, tem beneficiado pessoas e grupos que lançam mão dessa estratégia para pairar sobre todos, fazendo valer seus pontos de vista e, com isso, impor sua vontade contra todas as demais, sejam elas de um lado, seja de outro. Nesse sentido, merece reflexão a frase que diz: ;A corrupção não é de esquerda, nem de direita. Ela é ambidestra;. Em outras palavras equivale a dizer que, enquanto muitos se engalfinham na tentativa de apontar o personagem menos corrupto ou mais impoluto, a questão central vai se esgueirando pelas beiradas e com ela os verdadeiros malfeitores escapolem dessas refregas são e salvos.

Enquanto a massa se engalfinha numa luta renhida, seus algozes lucram com as desavenças e, sabidamente, passam a se colocar como solução redentora para esses conflitos. Em situações como a que agora experimentamos, o mais prudente, e por via das dúvidas, seria não eleger nenhum desses semeadores da cizânia, optando por uma terceira via não contaminada e com folha corrida tão extensa. O problema aqui é que, dada a delicadeza das condições econômicas, com forte desemprego e baixo crescimento, a escolha de um novato, sem experiência executiva comprovada é tão arriscada quanto escolher um nome manchado.

Em encruzilhadas dessa natureza, o mais sensato, num país evidentemente sensato, seria sanear o atual modelo, de cima a baixo. Em todos os quadrantes. Melhor arrumar a casa para o próximo governo do que entregar um país necessitado de reparos, a um novo governo. Mais uma vez o problema aqui é como reformar o país e suas instituições e o próprio modelo republicano. A saída para esse impasse talvez esteja na formação de um governo, composto por figuras absolutamente probas e capacitadas, imbuídas, tão somente de promover reformas suprapartidárias e necessárias a um novo país. A questão é como empreender tamanho desafio dentro da atual Carta Magma.

O arrojo é gigantesco. Mas a necessidade atual de mudança de rumos é maior ainda. As diversas revelações e escândalos, vindos a público nos últimos anos, exigem punição dos envolvidos, além de recuperação de toda a verba surrupiada do povo brasileiro. Há certeza de que é preciso uma reorientação do modelo de Estado que vínhamos tateando desde a redemocratização.

Para um país que já se acostumou, historicamente, com soluções políticas que sempre terminam na condução do vice à Presidência, a eleição ou a formação de um governo transitório, com a incumbência de promover reformas até parece coisa pequena. O que não dá, e a nação não mais suporta, é a continuidade dos mesmos modelos viciados, operados pelos grupos de sempre, sob o rótulo de novo governo recém-eleito.

O fato é que, para esse modelo que aí está e, principalmente, com essa gente que se apresenta para conduzi-lo, não há saída exitosa, apenas vai se adiar ou complicar, ainda mais, o nosso desejo de fazer surgir o país que os muitos brasileiros necessitam com urgência.



A frase que não foi pronunciada

;Direitos humanos não se pede de joelhos, exige-se de pé.;
Dom Tomás Balduíno



Incoerência
; Defendendo a isenção tributária a templos religiosos, o deputado federal Ronaldo Fonseca (DF) contraria
Jesus Cristo. ;Dai a César o que é de César!

Perigo
; Vigilantes de carros fortes têm sido abatidos por grupos fortemente armados. Houve um crime, em que os bandidos usavam fuzil 762, AR-15, fuzil 556, metralhadora ponto 50. A Comissão de Segurança Pública aprovou a Lei 6.635, de 2016, e quem vai se esforçar para aprová-la é o deputado federal Laerte Bessa.

Voto impresso
; Uma boa briga trazida pelo deputado federal Izalci Lucas (DF) será a obrigatoriedade do voto impresso. O frágil argumento da Corte Suprema, subjugando a inteligência do eleitor, é inaceitável. Falta de verba na Justiça é um disparate considerando-se uma eleição transparente no país, com direito a auditoria, o que hoje, não é possível.

Na real
; Depois que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (BGE) publicou a pesquisa sobre a estrutura de renda em nosso país, o deputado federal Augusto Carvalho rasgou o verbo. Chamou de ufanistas os discursos petistas. Um quarto da população brasileira continua abaixo da linha de pobreza. Só desempregados são 12 milhões.

Ficadão
; O que o deputado federal Alberto Fraga defende é que os presos que estudam e estão na iminência da recuperação devem sair da cadeia esporadicamente. Mas o que não é possível é permitir que um preso saia seis vezes por ano da cadeia e, a cada vez, por sete dias. E lembra: ;A lei não prevê que se deve liberar o preso no Natal, no Dia dos Pais ou no Dia das Mães;.




História de Brasília
Estas notas valem como um lembrete ao presidente da República, para que não se sinta envolvido por conversas de corredores, e para que possa salvar o Banco do Nordeste das sanhas político partidárias.(Publicado em 13/10/1961)




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