Netanyahu suspeito de suborno

Netanyahu suspeito de suborno

Polícia de Israel conclui dois inquéritos e pede à Procuradoria-Geral a acusação formal do premiê. Ele teria recebido "presentes generosos" de empresários, além de fechar acordo com o segundo maior jornal do país, em troca de vantagens

postado em 14/02/2018 00:00
 (foto: Thomas Coex/AFP)
(foto: Thomas Coex/AFP)


A polícia israelense recomendou que o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, seja acusado por suborno e quebra de confiança em dois casos, depois de dois anos de investigação. A decisão de processar o premiê depende da Procuradoria-Geral. A ministra da Justiça, Ayelet Shaked, assegurou que um chefe de governo acusado oficialmente não é obrigado a renunciar ao cargo. De acordo com o jornal Haaretz, os dois inquéritos são conhecidos como Caso 1.000 e Caso 2.000. O primeiro deles aponta que Netanyahu recebeu ;presentes generosos; de empresários ricos em troca de favores políticos. O segundo alega que o premiê tentou fechar um acordo que poderia lhe render cobertura favorável do segundo maior jornal do país, o Yediot Ahronoth, sob a condição de que o governo aprovasse uma lei que prejudicasse o diário Israel Hayom, o principal rival no mercado.

As autoridades policiais descobriram que, depois das eleições de Netanyahu, o volume de presentes recebidos por ele aumentou de forma substancial e atingiu o montante de 1 milhão de shekels (cerca de R$ 940 mil). Por meio de uma publicação no Facebook, o líder israelense tachou as acusações de ;ridículas;. Pouco depois das 20h45 (16h45 em Brasília), ele se defendeu por meio de um pronunciamento em rede nacional de TV que durou 12 minutos. ;Vocês sabem que tudo o que fiz foi em benefício do Estado de Israel. Isso é o que fiz até agora e o que continuarei a fazer;, declarou. ;Faço essas coisas não por cigarro, não por uma manchete, e para nada mais do que pelo bem do Estado de Israel. Nada me fez desviar ou me desviará dessa missão sagrada.; Netanyahu descartou a renúncia e disse nada ter feito de errado. ;Eu sinto uma profunda obrigação de continuar a comandar Israel de modo que garanta nosso futuro.;

As investigações também solicitaram o indiciamento de Arnon ;Noni; Mozes, editor-executivo do Yediot Ahronoth, e do produtor de Hollywood Arnon Milchan, que está entre os suspeitos de oferecerem presentes caros a Netanyahu como subornos. O governo israelense teria avalizado a chamada Lei Milchan, que corta impostos de israelenses que retornarem ao país depois de passarem um período no exterior. A polícia alerta que Netanyahu atuou ;contra o interesse público;.

A expectativa é de que o procurador-geral, Avichai Mandelblit, analisará as evidências coletadas pela polícia nos dois casos e decidirá sobre o indiciamento ou não do premiê. A legislação israelense estabelece que o chefe de governo deve apresentar a demissão somente após a apelação e a rejeição do recurso na Suprema Corte. O escândalo coloca em xeque a sobrevivência política de Netanyahu. Em setembro de 2008, o seu antecessor Ehud Olmert renunciou depois de a polícia recomendar que ele fosse acusado de suborno, quebra de confiança, lavagem de dinheiro e recebimento ilegal de bens. O ex-premiê foi condenado a 27 meses de prisão, cumpriu 19 deles e foi libertado no ano passado.




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