Julgamento sem público

Julgamento sem público

postado em 14/02/2018 00:00
 (foto: Thomas Coex/AFP)
(foto: Thomas Coex/AFP)


Presa desde dezembro do ano passado, a adolescente palestina Ahed Tamimi, 16 anos, começou a ser julgada ontem pela Justiça Militar de Israel. Ela é acusada de agressão a soldados israelenses, num episódio que ganhou repercussão depois que o vídeo em que aparece batendo nos militares viralizou nas redes sociais. A jovem foi alvo de 12 acusações, que podem lhe custar vários anos na prisão se for considerada culpada.

Por determinação do juiz responsável pelo processo, o julgamento transcorre a portas fechadas. Jornalistas de várias partes do mundo que foram acompanhar o caso, assim como diplomatas e o público presente, foram convidados a deixar a sala de audiência sob o argumento de que Ahed Tamimi está sendo julgada como menor de idade. Apenas os familiares foram autorizados a acompanhar o julgamento no tribunal militar de Ofer, na Cisjordânia ocupada.

O episódio envolvendo Ahed Tamimi aconteceu na cidade de Nabi Saleh, na Cisjordânia ocupada, no contexto dos protestos palestinos contra a decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel. No vídeo, os soldados permanecem impassíveis diante da agressão. A mãe de Tamimi, Nariman, e sua prima Nour, também aparecem no vídeo e serão julgadas.

Ao chegar ao tribunal militar, a adolescente recebeu manifestações de apoio. Vestindo o uniforme de presa, com as mãos e os pés algemados, ela sorriu quando viu que os jornalistas começaram a fotografá-la. ;Mantenha-se forte, você vai ganhar;, gritou Bassem Tamimi, pai da jovem.

A comunidade internacional acompanha o caso com interesse e preocupação. O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos criticou as ações das autoridades israelenses , enquanto a União Europeia manifestou apreensão com a detenção de menores por Israel.





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