Segundo do PCC é morto no Ceará

Segundo do PCC é morto no Ceará

Gegê do Mangue teria sido vítima de uma emboscada na reserva indígena de Aquiraz, a 30km de Fortaleza. MP de São Paulo suspeita que assassinato foi motivado por disputas internas da facção criminosa

postado em 19/02/2018 00:00
 (foto: Divulgação/SAP)
(foto: Divulgação/SAP)


Rogério Jeremias de Simone, o Gegê do Mangue, segunda maior liderança do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi assassinado numa suposta emboscada na reserva indígena de Aquiraz, a 30 quilômetros de Fortaleza. Com Gegê, também foi encontrado morto Fabiano Alves de Souza, o Paca. O Ministério Público do Estado de São Paulo suspeita que o crime tenha sido motivado por disputas internas da facção.

As mortes teriam ocorrido na madrugada de sexta-feira e os corpos foram encontrados na manhã seguinte. Testemunhas relataram à polícia cearense que um helicóptero pousou na região e, logo depois, foi ouvida uma sequência de disparos. Investigadores paulistas acreditam que tenha sido montada uma emboscada contra Gegê e Paca.

Os corpos só foram identificados horas depois, mas a mensagem se espalhou rapidamente pelo sistema prisional paulista dando conta da morte de Gegê.

Duas hipóteses principais estão sendo consideradas para o caso. A primeira ; apontada por integrantes do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do MP de Presidente Venceslau, no interior de São Paulo ; é que a morte de Gegê tenha ocorrido em represália ao assassinato de Edilson Borges Nogueira, o Biroska, que aconteceu em 5 dezembro na Penitenciária 2 de Presidente Venceslau. Ele possuía funções na Sintonia Final, cúpula da facção, e foi morto a golpes de estilete.

Outra possibilidade é de que, na rua, Gegê estava ganhando mais poder do que os líderes presos do PCC desejavam. ;Creio que o Gegê tenha crescido demais, e agiram para cortar essa liderança. Na rua, era o membro mais forte que o PCC tinha;, disse o procurador de Justiça do MP paulista Márcio Sérgio Christino, que atuou em investigações contra o PCC na década de 1990 e nos anos 2000.

Ele é autor do livro Laços de Sangue, a história secreta do PCC, e diz que ações como essa permeiam a história da facção. ;Quando isso acontece, a parte vencedora já tem tudo preparado. A morte não é o início de algum plano, é o fim, a sua concretização;, disse.

Acreditava-se que Gegê estava comandando negócios do PCC atuando fora do país, principalmente na Bolívia e no Paraguai. ;Essa é a hipótese mais provável. Ele não estava no Ceará, mas foi levado para lá;, disse Christino. Em fevereiro do ano passado, a Justiça expediu alvará de soltura em favor do criminoso em razão da demora no julgamento de um caso de assassinato.

No mês seguinte, Gegê seria condenado a 47 anos de prisão. Desde então, era considerado foragido. Ele respondia a pelo menos 11 processos por homicídio, formação de quadrilha e tráfico de drogas, entre outros crimes.

A soltura do acusado havia sido obtida porque em nenhum dos outros processos a que responde houve decreto anterior de prisão provisória. Antes da decisão no processo de Presidente Venceslau, a defesa de Gegê havia conseguido reverter no Supremo Tribunal Federal (STF) a detenção relativa a outra acusação de homicídio, cometido em 2004, na favela do Sapé, no Rio Pequeno, zona oeste de São Paulo. Ele e Abel Pacheco de Andrade, o Vida Loka, são acusados de ordenar, por celular, um duplo homicídio.




"Acredito que o Gegê tenha crescido demais, e agiram para cortar essa liderança. Na rua, era o membro mais forte que o PCC tinha;
Márcio Sérgio Christino, procurador de Justiça do MP paulista




47 anos
Condenação à prisão imposta a Gegê do Mangue, que estava foragido. Ele respondia a pelo menos mais 11 processos por homicídio, formação de quadrilha e tráfico de drogas, entre outros crimes




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