Cacau Show chega aos 30 anos com plano de internacionalizar marca

Cacau Show chega aos 30 anos com plano de internacionalizar marca

Fundador da empresa diz que "o Brasil, apesar das mazelas, é um país novo e que tem muitas oportunidades"

Paula Pacheco
postado em 19/02/2018 00:00
 (foto: Fotos: Cacau Show/Divulgação)
(foto: Fotos: Cacau Show/Divulgação)

São Paulo ; Muita gente diz que sexta-feira é o melhor dia para trabalhar porque é quando começa o fim de semana. Para um grupo de executivos da Cacau Show, as quartas-feiras são sempre as mais esperadas. É quando o grupo ocupa uma das salas com paredes de vidro da nova sede da empresa, às margens da Rodovia Castelo Branco, em Itapevi, na Região Metropolitana de São Paulo, para degustar chocolates trazidos de algum canto do mundo e novas receitas desenvolvidas no laboratório da companhia. Assim, Alexandre Tadeu da Costa, de 47 anos, fundador da companhia, discute com a sua equipe novas estratégias para seguir com o crescimento da marca. E faz parte desse planejamento tirar o passaporte da gaveta e internacionalizar a Cacau Show. Alexandre ainda não definiu como será a expansão da marca fora do Brasil ; se por meio de franquias, lojas próprias ou pelo sistema de venda direta. O empresário também não escolheu o primeiro país onde vai desembarcar com seus negócios. Tudo vai depender dos estudos que estão sendo desenvolvidos por uma consultoria. Mas não deixa de ser simbólico que o presidente da Cacau Show tenha escolhido 2018 para levar seus produtos para outros mercados. Na Páscoa deste ano, Alexandre vai completar 30 anos de sua estreia no mundo do chocolate. Em uma quarta-feira, como não poderia deixar de ser, logo depois da reunião de degustação, Alexandre falou sobre a empresa.

Que balanço o senhor faz desses 30 anos? É um momento de reflexão sobre a sua trajetória?
É realmente um momento de grande reflexão em um ano que já começou com viagem para Nova York, outra para a Alemanha, uma para a Bélgica, além da nossa convenção anual com os franqueados, que teve como tema justamente os 30 anos. É um negócio que ganhou uma relevância muito grande nesse tempo. Para se ter uma ideia, eu estava participando de uma feira de máquinas na Alemanha e um expositor estava com o iPad dele com uma série de fotos da nossa nova fábrica sendo mostradas para outra pessoa. A gente levou para o brasileiro a acessibilidade a um produto de extrema qualidade. O chocolate fino mal era consumido naquele começo e conseguimos levar a ele algo com uma boa relação de valor.

Como foi possível crescer tanto?
Procuramos nesse tempo ter uma boa relação com fornecedores, colaboradores e rede de franqueados. Sem contar o Estado, para quem pagamos quase meio bilhão de reais por ano em impostos. Também temos o nosso Instituto Cacau Show, que cuida de quase 3 mil crianças de periferia, assim como eu fui, para que também tenham uma oportunidade. O Brasil, apesar das mazelas, é um país novo e que tem muitas oportunidades. Só posso ser muito grato.

Quais foram os momentos em que percebeu que havia oportunidade para ganhar espaço?
Um desses momentos foi 20 anos atrás, quando voltamos à venda domiciliar, que foi justamente como começamos a empresa. Tivemos naquele momento um boom bem interessante nas vendas. Depois foi quando abrimos a primeira loja em Piracicaba (SP), e, em seguida, em Suzano (SP). Vimos ali que havia uma boa aceitação para o nosso produto. Um terceiro momento estamos vivendo agora, com o novo escritório e a quebra de paradigma.

Quais são os planos para o futuro próximo?
A gente criou, há dois anos, um departamento de novos canais. Ele começou com venda direta, hoje temos também vendas in-company, em grandes empresas, a venda domiciliar, a venda em grêmios das empresas para datas especiais. Isso é muito importante dentro da nossa estratégia de comunicação. Somos uma das 50 empresas que mais investem em mídia no Brasil. Imagina as pessoas vendo aquelas imagens de chocolate na televisão e não terem como consumir. Queremos aproveitar essa oportunidade.

O setor de chocolate encontra dificuldades para crescer no Brasil, seja por questões tributárias, sejas de logística ou por conta do ambiente econômico e político?
Existem dois tipos de empresário. Um que vai dizer que tudo isso é um problema. Mas tem outro tipo que vai acordar cedo, encontrar um jeito de fazer as coisas de forma legal, de motivar as pessoas, de fazer e acontecer. No dia em que eu inaugurei o novo prédio, com investimento de R$ 130 milhões, um grande empresário disse para o outro, e depois eles me contaram, que, ;enquanto a gente estava reclamando, ;o Alê foi lá e fez acontecer;. O Brasil é um país em construção, que ainda tem corrupção, mas, por outro lado, tem gente sendo presa. Quer queira ou não, o Brasil andou no ano passado em vários de seus indicadores, como juros, Bovespa, câmbio, inflação. Até o PIB ficou ;positivinho;. Então, não adianta reclamar. Tem de acordar cedo e fazer.

O consumidor de chocolate sente muito a crise ou ele não se importa e mantém o hábito?
O chocolate tem uma boa resiliência à crise. É um momento seu, é um presente afetivo. Claro que há menos pessoas no shopping, não estamos totalmente imunes. Mas não é como a linha branca, por exemplo.

O que enxerga como desafio depois de se tornar a maior rede do setor?
Nós tocamos a vida de muita gente, seja no nosso acesso aos consumidores, com 75 milhões de tíquetes por ano, ou junto aos nossos colaboradores. Teve um menino que entrou aqui há 21 anos lavando o chão e hoje é diretor com pós-graduação. Se pago meio bilhão de reais de imposto, quero pagar um bilhão, dois, três e continuar a crescer. Temos um bom reconhecimento fora do Brasil enquanto indústria, mas não enquanto marca.

A marca é desconhecida fora do Brasil, certo?
Vamos construir nossa marca fora do Brasil a partir deste ano. A maioria não tem ideia do que tem de conceito por trás da nossa marca. Não vendemos chocolate, mas um momento especial para cada um. Essas informações têm de ser muito bem trabalhadas entre os nossos funcionários, na nossa rede de franquias e junto aos nossos consumidores.

A internacionalização da marca está nos seus planos?
Faz dois anos que estudamos essa possibilidade. Contratamos uma equipe para ver qual pode ser a melhor forma de fazer essa expansão, seja com vendas pela internet, seja com as domiciliares ou com loja. O plano é colocar para rodar a internacionalização ainda no segundo semestre deste ano. Mas temos muitas perguntas estratégicas a serem respondidas antes de tomar uma decisão sem chance de errar. Não vamos fazer a internacionalização só para contar.

O mercado está mais favorável à abertura de capital. Seria um caminho para a Cacau Show?
Não diria que não abriria capital de jeito nenhum, mas precisa de ter sentido estratégico. Tenho dois

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