Avião cai com 66 pessoas a bordo

Avião cai com 66 pessoas a bordo

postado em 19/02/2018 00:00
 (foto: Atta Kenare/AFP
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(foto: Atta Kenare/AFP )

Pouco depois de embarcar no voo EP3704 da companhia aérea Aseman Airlines, Salman Azari tirou uma foto de um dos motores do turboélice ATR-72 e enviou-a para a namorada com a seguinte mensagem: ;Que Deus nos proteja para chegarmos a salvo;. A viagem, com duração de 1h50, teve início no Aeroporto Mehrabad, em Teerã, por volta das 8h (1h30 em Brasília). A bordo, além de Salman, estavam 59 passageiros ; incluindo uma criança ; e seis tripulantes. O ATR-72 não chegou à cidade de Yasuj, a 500km da capital, e caiu a apenas 23km de seu destino, ao se chocar com o Monte Dena, nas Montanhas Zagros. Cerca de 120 socorristas do Crescente Vermelho foram enviados à zona do desastre.

A Aseman Airlines chegou a anunciar a morte de todos os 66 ocupantes, mas se retratou ao afirmar que as dificuldades para alcançar o local da queda impossibilitavam determinar o número de vítimas. ;Dadas as circunstâncias especiais da região, ainda não tivemos acesso ao local do acidente e, portanto, não podemos confirmar de forma precisa e definitiva a morte de todos os ocupante desse avião;, declarou o porta-voz Mohammad Tabatabai, à agência de notícias Isna. A neblina intensa e a forte nevasca impediram o avanço de helicópteros até a região, e a TV estatal anunciou a suspensão das operações de busca e o reinício ao amanhecer, se as condições meteorológicas permitissem.

Familiares de passageiros e tripulantes se deslocaram até o aeroporto de Teerã e foram abrigados em uma mesquita, onde aguardavam notícias. ;Não posso acreditar;, lamentava uma mulher, cujo marido viajava a bordo do avião. Em entrevista à agência Tabnak, um homem que garante ter perdido o voo alternava sentimentos de alívio e tristeza. ;Deus foi realmente gentil comigo, mas meu coração chora por aqueles que perderam suas vidas;, lamentou. A agência publicou uma imagem do iraniano mostrando o bilhete aéreo comprado por ele. Segundo a Isna, o presidente iraniano, Hassan Rohani, ordenou ao Ministério dos Transportes criar uma célula de crise para investigar as causas do acidente.

Histórico

O último acidente grave de um avião civil no Irã remonta a 2014, quando 39 pessoas morreram na queda de um Antonov 140, da companhia iraniana Sepahan, pouco depois de decolar do mesmo aeroporto em Teerã. Três anos antes, em 2011, um avião civil caiu no norte do país, deixando quase 80 mortos. As sanções impostas ao Irã durante anos pelos Estados Unidos, pela ONU e pelos países europeus impediram que as autoridades pudessem adquirir aviões ocidentais ou peças de reposição para colocar em dia a frota civil do país. A indústria do transporte aéreo estava submetida a um embargo americano desde 1995, o que tornava impossível que as companhias pudessem comprar aviões civis ou novas peças. Parte de sua frota ficava, então, imobilizada.


Um herói no comando
O capitão Hojatollah Foulad (foto), piloto do turboélice ATR-72 da companhia aérea Aseman Airlines, era considerado extremamente experiente. Em 2013, ele salvou as vidas de seus passageiros ao fazer um pouso de emergência no aeroporto de Yasuj, depois da falha em um dos motores de avião do mesmo modelo.


Netanyahu não descarta retaliar Teerã

Acuado por denúncias de corrupção em seu país, o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, adotou uma postura desafiadora e bastante teatral e fez ameaças aos ;tiranos de Teerã;. O chefe de governo prometeu impor violentas represálias, caso o Irã utilize a Síria como plataforma de agressão, uma semana depois da primeira confrontação aberta entre ambos os países. ;Não ponham a determinação de Israel à prova!”, advertiu Netanyahu na Conferência sobre Segurança, realizada em Munique (Alemanha), dirigindo-se ao ministro iraniano das Relações Exteriores, Javad Zarif.

;Aqui tem um pedaço de drone iraniano! Senhor Zarif, você o reconhece? Tinha de reconhecer, é seu!”, insistiu, diante do chanceler iraniano, exibindo o que seria ; segundo ele ; um fragmento de drone (tipo de avião não-tripulado) procedente da Síria e abatido na semana passada, quando sobrevoava o território israelense. Após a intervenção de Netanyahu, ao tomar a palavra diante do auditório, Zarif respondeu. ;Vocês foram espectadores de um circo caricato esta manhã, que não merece nem a dignidade de uma resposta;, afirmou, acusando Israel de ;uma política de agressão, de represálias em massa contra seus vizinhos; e ;de incursões diárias na Síria (...) e de bombardear diariamente, de maneira rotineira, a Síria;.

O premiê está acostumado a esse tipo de retórica. Em 2012, na tribuna da ONU, seu discurso foi marcado pela apresentação de um desenho simplista de uma bomba para denunciar o programa nuclear iraniano. Israel afirma ter abatido o aparelho quando sobrevoava seu território. Em represália, a Força Aérea destruiu a base na Síria, de onde o drone teria decolado. Durante a operação, um F-16 israelense foi atingido, algo que não ocorria desde 1982.


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