Denise Rothenburg

Denise Rothenburg

por Denise Rothenburg » deniserothenburg.df@dabr.com.br
postado em 22/02/2018 00:00

Um candidato, dois objetivos
Com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, disposto a manter uma certa distância do presidente Michel Temer, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, delimitando espaço na tentativa de não se misturar com o governo, os aliados do Planalto começam a querer impulsionar uma candidatura de Temer para deixar o MDB ser PMDB: ficar com um pé em cada canoa para, num segundo turno, negociar um lugar ao sol com o candidato de centro que passar à segunda rodada.

A candidatura ajuda o partido em duas frentes: a primeira, evitar que aconteça com o governo Temer o que houve com o então presidente José Sarney, em 1989. Naquele ano, a eleição foi ;solteira;, ou seja, sem disputa para governador, senador e deputados federais e estaduais. Sarney apanhou de todos os candidatos e ficou sem ninguém que defendesse o governo. Diante desse raciocínio, os emedebistas consideram que não têm nada a perder: Temer teria, enquanto candidato, condições de defender o seu legado e, de quebra, em caso de derrota, aumentaria o cacife para o segundo turno. Mais MDB do que isso, impossível.

O toma lá dá cá parlamentar

Começou um movimento de bastidores no plenário da Câmara para antecipar a janela partidária. É que algumas excelências estão interessadas em leiloar a candidatura. Funciona mais ou menos assim: o deputado se filiaria ao partido que lhe garantir mais dinheiro para a campanha eleitoral. Os lances estão variando de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões.

Muita calma nessa hora
O assunto foi levado em tese, sem nomes aos bois, à reunião do PSDB com Geraldo Alckmin ontem. O comandante tucano pediu paciência aos seus filiados. Haverá dinheiro para a campanha. Dentro do PSDB, muitos deputados receberam convites, propostas de financiamento de campanha em outras legendas, mas temem comprar gato por lebre. Geraldo Alckmin escutou todas as queixas e garantiu a todos que haverá dinheiro para a campanha. A maioria dos tucanos gostou do que ouviu.

Enquanto isso, nos partidos de esquerda;
O encontro entre o ex-prefeito Fernando Haddad e Ciro Gomes traz à tona a ideia de que não se deve manter a tese da imolação, ou seja, da manutenção unicamente da candidatura de Lula até agosto ou setembro. Essa é uma nova linha de atuação dentro do PT e do leque de partidos que gravitam em seu entorno: PDT, PCdoB e um pedaço do PSB. A ordem para unir é buscar um programa de governo e uma frente com esses partidos. Falta, entretanto, combinar. A cúpula do PSB, por exemplo, tem resistências em seguir com o PT no plano nacional.

O périplo da Eletrobrás
Rodrigo Maia pode até reclamar do pacote das 15 medidas anunciadas pelo governo para tentar segurar a melhoria do ambiente econômico, mas já recebeu alerta de que algo precisa ser feito. O presidente da Eletrobrás, Wilson Ferreira Júnior, por exemplo, foi dizer a ele que, sem privatização e sem dinheiro, a tendência é a empresa encolher. O número mais explorado por Ferreira Júnior é o de que a empresa terá que investir
R$ 50 bilhões nos próximos cinco anos apenas para manter sua posição no mercado.


PP dividido/ Enquanto o presidente do PP, Ciro Nogueira (foto), joga em favor de Rodrigo Maia (DEM-RJ) nesta temporada de pré-campanha presidencial, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, diz para uma plateia com os pesos pesados do campo nacional que Geraldo Alckmin saberá cuidar do Brasil.

Dois na roda/ Blairo fez o afago a Alckmin em discurso, na festa da posse da nova presidente da Frente Parlamentar de Agricultura, deputada Teresa Cristina (DEM-MS), na noite de terça-feira. No palco, estavam o governador, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, entre outros.

Um jogando parado/ Nas conversas que teve, Geraldo Alckmin avisou que, nos próximos 40 dias, estará mais focado em inaugurações e entrega de serviços no estado. Depois é que terá mais liberdade para caminhar.

Um palanque, dois candidatos/ Geraldo, aliás, tem dito também que dificilmente terá apenas um candidato ao governo de São Paulo. O PSDB quer ter um nome para chamar de seu, e o PSB já tem o vice-governador Márcio França. Se houver união, só mais à frente. Não por acaso, Michel Temer diz que só trata de candidatura em maio. É quando o jogo passará a ficar mais claro.

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