Escrevente diz a Moro que ia transferir sítio para Lula

Escrevente diz a Moro que ia transferir sítio para Lula

Escrevente de cartório afirma ao juiz Sérgio Moro que preparou uma minuta para transferir o sítio de Atibaia para o ex-presidente

Renato Souza
postado em 22/02/2018 00:00
 (foto: Márcio Fernandes/AE - 3/2/16
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(foto: Márcio Fernandes/AE - 3/2/16 )


Em depoimento ao juiz Sérgio Moro, da 13; Vara Federal de Curitiba, um escrevente de cartório afirmou ontem que fez a minuta de escritura do sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP). João Nicola Rizzi contou, durante depoimento como testemunha de acusação, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a mulher, Marisa Letícia, seriam os compradores da propriedade. A versão dele confirma documentos encontrados pela Polícia Federal no decorrer das investigações.

Um documento datado de 2012, que foi apreendido no apartamento de Lula, em São Bernardo do Campo, destaca que a propriedade seria repassada ao petista por R$ 800 mil. A venda do sítio seria feita pelo empresário Fernando Bittar, ex-sócio de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do petista. De acordo com João Nicola, o documento foi confeccionado a pedido do advogado Roberto Teixeira.

O escrevente trabalhou no 23; Tabelionato de Notas de São Paulo. Ainda durante depoimento, João Nicola afirmou que Roberto Teixeira ia frequentemente ao local para requisitar alguns serviços. O advogado, especializado em direito imobiliário, teria realizado a venda anterior do imóvel, que ocorreu em 2010.

Nenhuma das minutas citadas pelo funcionário do cartório acabou homologada, portanto, o sítio nunca esteve no nome do ex-presidente. De acordo com o Ministério Público Federal, o sítio Santa Bárbara passou por reformas patrocinadas por empreiteiras envolvidas no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava-Jato.

Lago
A propriedade recebeu benfeitorias que vão desde um campo de futebol até um lago para a criação de peixes. A denúncia relata que as obras custaram cerca de R$ 1 milhão. As melhorias teriam ocorrido na propriedade, que teria sido repassada a Lula em troca da obtenção de facilidades em contratos com a Petrobras.

Além do petista, respondem ao mesmo processo Rogério Aurélio Pimentel e Fernando Bittar, o pecuarista José Carlos Bumlai, o empresário Léo Pinheiro, os executivos Marcelo Odebrecht e Emílio Odebrecht, entre outros. Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins, que defende o ex-presidente Lula, afirmou que a ;forma de aquisição da propriedade e seu registro, segundo o Ministério Público, não são objeto da denúncia relativa à ação penal;. O defensor destacou, também que ;o cartório confirmou que nenhum outro documento foi firmado para transferir a propriedade do sítio de Atibaia para o ex-presidente Lula ou terceiros;.

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