João de Deus, ex-distrital, está na prisão

João de Deus, ex-distrital, está na prisão

ANA MARIA CAMPOS
postado em 22/02/2018 00:00
 (foto: Reprodução/Internet)
(foto: Reprodução/Internet)

O Ministério Público prepara uma denúncia contra o ex-deputado distrital João de Deus pelos crimes de organização criminosa, peculato e falsidade ideológica. Ele foi preso ontem na ;Operação Cheque-Mate;, sob suspeita de comandar um esquema de desvio de recursos por meio de contratos fictícios da prefeitura de Água Fria de Goiás, quando foi prefeito do município do Entorno, localizado a 150 quilômetros de Brasília. Ele administrou o município por duas gestões seguidas, a partir de 2008 até 2016.

Na operação, deflagrada pelo Ministério Público de Goiás, com apoio da Polícia Civil do estado, foi preso também o presidente da Câmara de Vereadores de Água Fria, o vereador Márcio Castro (PSDB), que foi secretário de Finanças na gestão de João de Deus. O juiz Carlos Gustavo Fernandes de Moraes, da 1; Vara Criminal de Planaltina, decretou ainda a prisão temporária de outro ex-secretário de Finanças Leonardo André Amorim Machado Gomes e do ex-secretário de Controle Interno Antônio Carlos Vieira. O nome da operação é um trocadilho com o termo xeque-mate, mas ressaltando que todo esquema envolvia a emissão de cheques da prefeitura.

Para ampliar as investigações, sob o comando do promotor Rafael Simonetti, da 4; Promotoria de Justiça de Planaltina de Goiás, a Justiça determinou também uma ação de busca e apreensão na prefeitura de Água Fria. A apuração teve início com uma denúncia realizada por um servidor que teria sido contratado para prestar serviço para o município e estranhou quando soube que em seu nome foram liberados recursos que nunca chegaram às suas mãos. Ele recebia R$ 700 por mês para realizar trabalhos de rua, mas caiu na malha fina da Receita Federal porque havia o registro em seu CPF de pagamentos da ordem de R$ 67 mil durante o ano de 2015.

Contratos forjados

As investigações apontaram que a Secretaria de Finanças de Água Fria estava sendo utilizada pelos ex-secretários da pasta para a prática de fraudes. Eles emitiam cheques em nome do servidor, sem o seu conhecimento, com recursos do município. A suspeita é de que a quadrilha forjava contratos de prestação de serviços e emitia cheques com base nos valores dos contratos. De acordo com o Ministério Público de Goiás, os documentos fraudados eram emitidos com a assinatura e ciência de João de Deus.

Os ex-secretários, conforme apurado pelos investigadores, atuavam diretamente nos crimes, assinando os cheques com o ex-prefeito e cuidando de todo procedimento para que os valores dos cheques descontados chegassem até eles, por meio de endossos para o saque do dinheiro. ;Havia um total descontrole sobre os contratos da prefeitura;, analisa o promotor Rafael Simonetti. Ele acredita que o esquema seja maior e que o nome de outros servidores tenham sido usados pelos suspeitos.

Depois de dois mandatos consecutivos como prefeito de Água Fria, João de Deus voltou para Brasília, reassumiu a presidência da Associação dos Praças da Polícia Militar do DF e se prepara para concorrer novamente à Câmara Legislativa.

Expulso da Polícia Militar por conta de sua mobilização em defesa de reivindicações da categoria, João de Deus foi deputado durante duas legislaturas e atuou como presidente da CPI da Grilagem na Câmara Legislativa, em 1995. Atualmente lidera um programa de rádio em que faz críticas ao governo Rollemberg.

Defesa
Em nota, o advogado Wellington Medeiros, advogado de João de Deus, sustenta que a denúncia feita pelo ex-prestador de serviços tem indícios de conotação política. Ele ressalta que a prefeitura instaurou procedimento de investigação para apurar eventuais irregularidades nos pagamentos desses prestadores de serviço, todos trabalhadores temporários e sem vínculo empregatício com o município.

O advogado ressalta que o ex-prefeito sempre se colocou à disposição das autoridades, inclusive do Ministério Público de Goiás, para esclarecer todos os fatos relacionados ao caso. ;O ex-prefeito João de Deus lamenta o fato ocorrido nesta manhã (ontem) e, em respeito à decisão judicial, não se furtará em momento algum de prestar os esclarecimentos necessários na busca da vontade real;, afirma Medeiros.

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