Eu quero é pop!

Eu quero é pop!

A cantora dispensa de vez o rótulo de nova geração da MPB para abraçar o gênero em seu mais recente disco

Adriana Izel
postado em 22/02/2018 00:00
 (foto: LEMA+/Divulgação)
(foto: LEMA+/Divulgação)
No ano passado, quando lançou a faixa Louca, uma versão da música da mexicana Thalia que já tinha sido gravada pela banda pernambucana Kitara, Alice Caymmi ;colocou o pezinho; na música pop, como ela mesma gosta de definir. ;Foi engraçado, porque foi um teste que deu muito certo. Na verdade, foi um pezinho na ág ua fria para tentar entrar e super deu para entrar. A popularidade desse single foi totalmente inesperada;, conta.

Embalada pela boa repercussão da canção e também das novas experiências no mundo da música, Alice Caymmi produziu o álbum Alice. O material é composto por nove faixas, sendo oito inéditas. Destas, cinco escritas pela cantora ao lado de parceiros, como Ana Carolina (Inocente), Pablo Bispo e Barbara Ohana (Vin e Eu te avisei) e Rincon Sapiciência (Inimigos), além de Spiritual, feita só por ela. Apenas Agora é uma versão da canção italiana Ancora, da cantora Mina. Ao Correio, Alice fala sobre a construção do álbum, o mais autoral de toda a carreira, e também sobre a inserção no cenário da música pop dominado no Brasil por nomes como Pabllo Vittar (que é uma das convidadas de Alice) e Anitta.


O que te motivou a abraçar esse lado mais pop no disco Alice?
Na verdade, foi sempre a minha atração pelo mais popular e mais acessível, e também os novos amigos, as pessoas com as quais eu comecei a andar. Eu comecei a entender o pop como uma possibilidade muito próxima. Um amigo meu chamado Gorky (produtor da Pabllo Vittar) é uma das pessoas responsáveis por isso. Os compositores de Anitta e Pabllo, que são o Pablo Bispo e o Arthur Marques, também são amigos que eu fui convivendo e entendendo melhor. Eles foram me convidando para esse universo. Foram as pessoas que apareceram na minha vida e a atração que eu sempre tive por essa linguagem.



Estamos vivendo um momento muito legal para a música pop brasileira. Como que você percebe esse cenário?
Vejo esse cenário com muita clareza e muito forte. Estou vendo as pessoas trabalhando dentro dessas engrenagens, do maquinário da música de massa, eu estou vendo essas coisas funcionando na indústria da música popular. Está muito bonito. São pessoas muito jovens, com convicções muito bacanas, muito criativas e que trabalham muito duro. Pessoas que trabalham muito. Esse pessoal não dorme (risos). São pessoas que merecem muito esse sucesso que estão tendo. É isso que eu acompanho do cenário atual pop. Independentemente do que cada um pense ou sinta, eu gosto. Gosto de ouvir, de dançar, de cantar, de estar junto, de compor junto. Acho o cenário muito bom. Sou suspeita para falar.


Apesar da música pop ser mais dançante e voltada para o entretenimento, muitos artistas desse cenário estão trazendo vários debates. Você traz em Alice questões como representatividade feminina e autoaceitação. É uma intenção trazer esse tipo de debate para um gênero que é mais conhecido pelo lado do entretenimento?
Exatamente, acho que acaba que a gente vaza para uma linguagem de entretenimento o próprio questionamento. Essa é a revolução do pop no Brasil. São essas pequenas brechas por onde a gente vaza ideologia, sabe. É como o pessoal chamou no começo da Marília Mendonça de feminejo. De repente, nem ela percebia que ela fazia feminismo. Ela só é ela mesmo e acaba que ela transformou a vida de muitas mulheres. ;Ai, mas é sertanejo... Ai, mas é entretenimento...; Cara, não sei. Acho que ela pode ter libertado bastante gente nessa. E a gente está aqui para isso. Como a Pabllo (Vittar) liberta a população GLS, que está sendo oprimida. No meu caso também, a libertação das mulheres é sempre meu foco, o que eu quero mais.


Nesse disco é possível ver várias influências de diferentes gêneros, algo que é comum ao pop. Como você chegou a essa sonoridade?
Na verdade, foi um estudo muito grande meu e da Barbara (Ohana), produtora do disco, que já é uma pessoa que é muito encantada com esse gênero e que tem muitos conhecimentos, da vida dela, das coisas que ela estudou. Isso vem de um apanhado durante meses das nossas influências e chegamos nessa linguagem desse disco.


Você tem falado muito da explicação de cada música. O que essas nove músicas representam?
O disco é dividido em três partes. Tem uma parte que é convencional, uma parte dançante e uma parte de autoafirmação. Acho que essas três partes são complementares e contam uma história. Cada uma música dessas têm uma função dentro disso.


Nesse disco há muitas parcerias. Como surgiu a oportunidade de trabalhar com todas essas pessoas?
A Ana (Carolina) é muito próxima de mim. Somos muito amigas e já queríamos compor há algum tempo. A Pabllo (Vittar) veio através do Gorky e eu acompanhei muito a trajetória dela, sempre fomos mais próximas. O Rincon (Sapiciência) já é uma pessoa mais nova na minha vida, que eu fui procurar. E a Barbara (Ohana) também é uma pessoa nova e que me ajudou com esse disco.


Você lançou uma espécie de clipe para as nove faixas. Era uma estratégia trazer as canções para o YouTube?
Hoje em dia, não dá muito para separar a música do audiovisual. Eu sempre tive essa necessidade de lançar as músicas com uma parte visual bem estabelecida. É uma característica minha. Então, a gente trouxe esses vídeos para acompanhar, uma experiência visual para acompanhar cada música do disco.


Como tem sido o feedback do álbum?
Foi muito maluco, porque foi interrompido pelo carnaval. Faz muito pouco tempo, então nem deu tempo de entender como foi a recepção desse disco. Ainda estamos trabalhando nele. Ainda estou pisando em ovos e tentando entender o que ele representa para as pessoas. Aos poucos a gente vai montando esse quebra-cabeça.


No ano passado, você veio a Brasília com um show mais pop na festa Mimosa. Você pretende trazer esse novo show para a capital?
Com certeza. Acho que tem uma negociação rolando, mas eu não estou acompanhando de perto, porque eu e dinheiro é uma combinação que não dá certo (risos). Mas o negócio da última festa aí foi tão legal. Foi um negócio muito bacana. Foi um show de festa, que é algo muito bacana. Eu entrei nessa e não saio mais. Quero muito voltar, adoro Brasília.



Alice

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