Dodge quer chefe da Polícia Federal calado

Dodge quer chefe da Polícia Federal calado

postado em 27/02/2018 00:00


A procuradora-geral da República Raquel Dodge pediu ao Supremo Tribunal Federal ;ordem judicial; para que o diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, se abstenha de declarações a respeito de inquéritos em curso, sob pena de afastamento do cargo. O requerimento foi feito no âmbito da apuração dos Portos, que investiga se decreto do presidente Michel Temer beneficiou a empresa Rodrimar.

Em entrevista à agência Reuters, Segóvia afirmou que a tendência é o arquivamento da investigação contra Temer envolvendo o decreto dos Portos. De acordo com o chefe da PF, até o momento, não foram angariadas provas sobre o pagamento de propina por parte da empresa Rodrimar para Temer. Ele foi intimado pelo ministro Luís Roberto Barroso a prestar esclarecimentos. ;Quaisquer manifestações a respeito de apurações em curso contrariam os princípios que norteiam a Administração Pública, em especial o da impessoalidade e da moralidade;, disse Dodge.

Raquel Dodge ressaltou que o regimento interno da Polícia Federal prevê que o cargo ocupado por Fernando Segóvia tem natureza administrativa, de forma que o seu titular não tem atribuição para conduzir investigações. Na petição, a procuradora-geral solicita ao ministro-relator uma ordem judicial para que o diretor-geral se abstenha de ;qualquer ato de ingerência sobre a persecução penal em curso;, inclusive de manifestações públicas a respeito das investigações em curso, sob pena de afastamento do cargo. Além disso, Raquel Dodge explica que, em função da atribuição do Ministério Público para o exercício do controle externo da atividade policial, remeteu cópia da representação ao Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) para a adoção de medidas cabíveis dentro do chamado controle externo concentrado da atividade policial.

Dodge também encaminhou ao Supremo pedido de prorrogação por mais 60 dias do inquérito dos portos. A decisão acompanha o pedido feito na semana passada pelo delegado Cleyber Lopes, responsável pelo caso. Dodge, no entanto, alega que medida semelhante foi autorizada em dezembro do ano passado, sem que a PGR tivesse sido consultada.

;Embora o objetivo tenha sido nobre, o deferimento de prorrogação de prazo sem prévia manifestação do titular da ação penal acaba por atrapalhar o próprio andamento da apuração, pois prejudica o conhecimento por parte do Parquet da linha investigatória desenvolvida e do estágio das investigações;, disse. O ministro do Supremo Luís Roberto Barroso é o relator do caso e decidirá sobre a prorrogação. O inquérito contra Temer foi solicitado pelo então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, em junho do ano passado e teve sua abertura autorizada por Barroso, em setembro.

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