Governo cobra embargo de mineradora no Pará

Governo cobra embargo de mineradora no Pará

Ingrid Soares Especial para o Correio
postado em 27/02/2018 00:00
 (foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Ana Carneiro/Esp. CB/D.A Press )


O ministro do Meio Ambiente, José Sarney Filho, enviou ontem ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) um ofício pedindo urgência no embargo das atividades da empresa norueguesa Hydro Alunorte no município de Barcarena, no Pará, além da aplicação de multas pesadas por conta dos danos causados ao meio ambiente após o vazamento de rejeitos químicos decorrentes do processamento de beneficiamento de bauxita, que ocorreu em 16 e 17 de fevereiro após fortes chuvas. O Ibama deve se posicionar em até 48 horas.

O pedido foi divulgado ontem após uma nota técnica do Instituto Evandro Chagas apontar falhas no processo de escoamento e tratamento de efluentes e lançamento clandestino de dejetos que comprometeram a qualidade da água potável. As primeiras denúncias vieram das comunidades do Bom Futuro e Vila Nova. Nas áreas atingidas, a população não pode consumir a água que foi contaminada por alumínio, soda cáustica, chumbo e mercúrio, entre outros metais pesados. ;Nossa competência é suplementar, mas não podíamos ficar sem fazer nada, tanto que é a primeira vez que o ministério faz esse tipo de recomendação. Não há como negar o ocorrido, a empresa não se isenta da culpa. A análise da água, o DNA da tragédia, aponta isso;, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho.

O ministro explicou ainda que, caso a empresa tenha outros empreendimentos no país, será passado um ;pente-fino; para averiguar as operações. Segundo ele, não há comparação entre a tragédia de Mariana com a de Barcarena. ;Não estamos diante de um novo desastre como o de Mariana, pois não houve mortes e a contaminação foi no rio, não houve rompimento de barreira. Mas não é por isso que deixa de ser grave. É um bioma sensível na Amazônia que temos que proteger e o vazamento será devidamente investigado. A empresa terá que se explicar e responder pelo dano ambiental e social que está promovendo. Não há dúvidas de que a empresa é responsável pelos prejuízos;, ressaltou.

A Noruega é a maior acionista da mineradora denunciada pela contaminação na Amazônia, com 34,3% das ações. Também foi verificada a existência de um duto clandestino utilizado pela mineradora para despejo de rejeitos no meio ambiente. A empresa é reincidente, em 2009, o Ibama multou a mineradora também por vazamento. As multas somam R$ 17,1 milhões e ainda não foram pagas.

Ainda ontem, moradores das áreas atingidas pelo vazamento da mineradora Hydro procuraram postos de saúde com dores gastrointestinais, coceiras na pele, ânsia de vômito, diarreia e fraqueza. Até o fechamento desta edição, o Correio não conseguiu contato com a empresa.

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