Entre músicas e memórias

Entre músicas e memórias

No livro de estreia, Olímpio Cruz Neto conta histórias e casos pessoais sobre algumas de suas músicas prediletas

» Humberto Rezende
postado em 27/02/2018 00:00
 (foto: Olímpio Cruz Neto/Divulgação


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(foto: Olímpio Cruz Neto/Divulgação )





Qual é a playlist de sua vida? Quais obras você incluiria na lista de canções que marcaram sua existência e poderiam ser consideradas a trilha sonora da sua história? Essas perguntas são o ponto de partida de Playlist ; Crônicas sentimentais de canções inesquecíveis, primeiro livro do jornalista Olímpio Cruz Neto, recém-lançado e disponível na plataforma digital Amazon.

Playlist é, claro, o conjunto de algumas das canções preferidas de Olímpio, apresentadas em 27 textos. Mas vai muito além do mero exercício egocêntrico de produzir uma lista baseada no gosto do autor. ;Apaixonado por música desde criança;, como ele mesmo se descreve, o escritor tem muita informação para dividir, e inclui nos textos, ao lado de suas memórias afetivas, curiosidades e detalhes das composições que tornam seu livro um achado para os apaixonados pelo cancioneiro inglês, americano e brasileiro, a praia por onde Olímpio transita.

Um exemplo para convencer o leitor: ao falar de Música urbana e Música urbana 2, as escolhidas para homenagear Renato Russo, Olímpio vai às origens do rock candango, citando o seminal disco Os primitivos do iê-iê-iê, do grupo Os Primitivos, lançado em 1967; lembra o primeiro show dos Paralamas do Sucesso em Brasília, em 1983, em um festival no Ginásio Nilson Nelson que contou ainda com Dado Villa-Lobos como roadie e a estreia de Cássia Eller, então vocalista da banda Malas & Bagagens; e, de quebra, conta uma visita que fez ao jovem Renato Russo acompanhado de Bi Ribeiro e João Barone.

Emoções

A cada texto, fica claro esse poder da música de invocar memórias e emoções. E a ideia do autor era deixar mesmo que as lembranças surgissem, para dividi-las, especialmente, com os filhos: o recém-nascido Antônio e a jovem Clara. ;Eu queria compartilhar as lembranças e os prazeres dessas canções com meus filhos. Um jeito de contar um pouco a própria vida e de mostrar a eles um pouco de quem eu sou e como cresci. É quase uma terapia. Eu acho que todos temos uma espécie de trilha sonora da existência. Escrever é certamente uma maneira de ver e sentir novamente aqueles momentos;, diz Olímpio, que ainda exercita no livro o lado artista plástico, confeccionando ilustrações de todos os compositores homenageados.

As lembranças fazem com que o escritor vá de Charles Chaplin, com sua belíssima Smile, de 1936, à banda independente brasiliense The Johnny Nit Circus e a canção Killing Words, de 2012. O passeio inclui ainda David Bowie (Space Odity), Os Novos Baianos (Mistério do planeta), Gilberto Gil (Tatá engenho novo) e tantos outros.

E o lançamento em formato digital permite que o leitor reviva a força de cada uma das canções homenageadas enquanto lê sobre elas. Basta clicar nos links disponíveis ao longo das crônicas para ser direcionado a um vídeo no YouTube e apreciá-las.

Em meio a tantas obras-primas, há como apontar uma favorita, pelo menos neste momento? ;A do Lennon, Watching the wheels, mexe comigo até hoje. Acho que é a minha favorita;, arrisca o autor. O também jornalista Fernando Rosa, porém, ressalta que mais do que eleger melhores ou piores canções, o que realmente importa em Playlist é sua homenagem a obras que têm a capacidade de emocionar gerações após gerações.

;Em tempos de hits fugazes, sem histórias, que não chegam a durar uma semana, um livro de crônicas que tem em ;canções inesquecíveis; sua âncora afetiva é também um libelo em defesa da música;, escreve Rosa, editor do site Senhor F, na apresentação do livro. Defesa que Olímpio faz com conhecimento e paixão.


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