Investimento é preocupação de analistas

Investimento é preocupação de analistas

Formação Bruta de Capital Fixo cresce 3,8% no 4º trimestre, mas termina 2017 com recuo de 1,8% em relação ao ano anterior. Para economistas, retomada mais consistente da economia depende de reformas e da recuperação da infraestrutura

» ROSANA HESSEL
postado em 02/03/2018 00:00

Apesar da retomada do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), os investimentos continuaram registrando queda em 2017. A taxa de Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) recuou 1,8%, conforme dados divulgados ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em relação ao PIB, a taxa de investimento foi de 15,6%, a menor da série histórica, inciada em 1996.

No último trimestre do ano passado, a FBCF cresceu 3,8% na comparação com o mesmo período de 2016 e 2% em relação ao trimestre anterior, o que foi considerado um sinal de confiança dos investidores na economia, de acordo com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Na avaliação de analistas ouvidos pelo Correio, porém, a situação ainda preocupa, porque o aumento do investimento é fundamental para que o país volte a ter crescimento sustentável.

O recomendável para uma economia crescer 5% ao ano é que a taxa de investimento fique em torno de 25% do PIB, algo que o Brasil, historicamente, nunca atingiu. E chegar a esse patamar demanda tempo, pois o tombo dos últimos anos foi grande.

Além disso, a taxa de poupança, que ficou em 14,8% do PIB no ano passado, é muito baixa e ajuda a travar o investimento. ;O Brasil tem um grande despoupador, o governo, que não investe devido à limitação fiscal;, afirmou a economista Alessandra Ribeiro, da Tendências Consultoria. Segundo ela, o país ainda vai levar 10 anos para voltar a ter taxa de investimento de 20,9% do PIB, alcançada em 2013.

;Não adianta o país crescer ancorado na agricultura. Em 2018, o setor não repetirá a alta de 13%, porque vai bater na falta de infraestrutura. Para o investimento crescer, de fato, é preciso confiança jurídica e projetos de longo prazo. A infraestrutura logística atual não suporta um crescimento do PIB acima de 3%;, disse o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins.

O economista Cláudio Considera, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre-FGV), demonstrou otimismo com o resultado do PIB de 2017, mas reconhece que, para o Brasil crescer mais do que os 2,9% previstos pela instituição neste ano, serão necessárias reformas para melhorar o quadro fiscal e permitir que o governo volte a investir. ;A queda do investimento reflete o desempenho da construção civil, que continua negativo devido não somente à questão fiscal, mas aos escândalos da Lava-Jato, que travaram o setor;, completou.

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