O ladrão que roubou políticos na Câmara

O ladrão que roubou políticos na Câmara

Bernardo Bittar Especial para o Correio
postado em 02/03/2018 00:00
;Previdência; é um assunto ingrato na Câmara dos Deputados. Depois de enterrar a reforma que tratava do assunto, parlamentares foram surpreendidos com a notícia de que um servidor da Casa teria desviado milhões de reais de um plano de aposentadoria privada da categoria. O funcionário era chefe da Seção de Averbação e Instrução Processual (Savip) e teria fraudado a previdência dos deputados criando uma entidade falsa.

O Departamento de Polícia Legislativa e o Ministério Público Federal estão investigando os desvios, e o resultado será entregue à Justiça. O funcionário teria aberto uma empresa cujo nome era praticamente o mesmo de um fundo a que os parlamentares contribuem mensalmente a título de previdência. Ele enviaria boletos para o e-mail dos parlamentares, que transferiam reais direto para a conta da empresa dele.

A empresa teria sido aberta em dezembro de 2016 com o nome de PSSC Assessoria Ltda., sigla igual à do ao Plano de Seguridade Social dos Congressistas (PSSC). O ;PSSC de verdade; serve para que seja feito recolhimento com vista a averbação de tempo de mandato eletivo (em situação normal é utilizada a GRU).

Como era chefe da área responsável por oferecer o plano de previdência aos parlamentares, as mensagens enviadas pelo servidor ao e-mail funcional dos deputados nunca despertaram suspeitas. O assunto é tratado em segredo pela Câmara desde dezembro do ano passado, quando o funcionário tirou férias. O que o substituto encontrou foram recibos no nome da PSSC Ltda.

O servidor que assumiu interinamente a Savip denunciou o chefe e a Polícia Legislativa abriu investigação. Ele é acusado dos crimes de peculato, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro. Ainda não há informações sobre o número de deputados lesados e sobre os valores pagos. O funcionário foi exonerado em 2 de fevereiro. ;Nenhum dos crimes existe. Não existe golpe nem prejuízo para a Câmara ou para os deputados;, disse o advogado Maurício de Oliveira Carneiro, que representa o funcionário.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação