O risco da paz aparente

O risco da paz aparente

PAULO DE TARSO LYRA paulodetarso.df@dabr.com.br
postado em 02/03/2018 00:00
Governadores e vice-governadores de todos os estados brasileiros estiveram ontem com o presidente Michel Temer para discutir o problema generalizado de segurança pública. O único que parecia um pouco mais à vontade em meio à grita geral era o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O tucano consegue ostentar números de fato impressionantes como sendo a unidade da federação com o menor índice de mortes por 100 mil habitantes: 9,5.

O tucano paulista só não pode, por um segundo sequer, sentar nessa estatística e dizer que está aliviado. Boa parte da crise de violência brasileira vem da guerra de facções pelo controle do comércio de drogas e armas, dentro e fora das cadeias. E um dos elos fundamentais nesse processo é o PCC ; Primeiro Comando da Capital ; que nasceu em São Paulo e comanda os presídios estaduais. E sempre há o risco de o PCC inflamar-se de novo.

Não é teoria da conspiração. Nas duas últimas semanas, o partido ; como eles mesmo se autointitulam ; mostrou suas garras. Duas das principais lideranças da facção fora da cadeia, Gegê do Mangue e Paca, foram mortos no Ceará a mando do líder maior do grupo, o Marcola, sob a suspeita de estarem desviando dinheiro da quadrilha. Uma semana depois, um dos criminosos envolvidos na emboscada, conhecido como Waguininho, Magrelo ou Cabelo Duro, foi assassinado em frente a um hotel de luxo em São Paulo.

Tudo o que não pode acontecer é o despertar da força bélica explícita do PCC. Não que eles não a tenham, mas, diferentemente do Comando Vermelho, no Rio, odeiam ostentar. Como uma empresa organizada, são eficientes e cirúrgicos em seus negócios, detestando manifestações públicas de ;soldados; com fuzis transversais ao corpo ou de pistolas no cós da cintura das bermudas folgadas.

Se for necessário, contudo, eles mostram os dentes. Foi assim no Paraguai, em Juan Pedro Caballero, quando fuzilaram o rei das drogas Jorge Raffat Toumani, com munição antiaérea, em 2017. E foi assim em 2006, quando Marcola, de dentro do presídio, comandou uma série de rebeliões conjugadas e diversos atentados contra policiais militares, civis e bombeiros nas ruas de São Paulo. Alckmin certamente não deseja que, novamente, um ;Salve Geral;, se transforme em Deus nos acuda; em pleno ano eleitoral.





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