Ameaça perigosa

Ameaça perigosa

postado em 02/03/2018 00:00
Passado o impacto inicial com a criação do Ministério da Segurança Pública ; iniciativa apoiada por muitos e criticada por tantos outros ;, o que se espera é que, a partir de agora, as autoridades elaborem e ponham em prática um programa nacional de combate ao crime, notadamente o organizado. A população brasileira não suporta mais o bombardeio diário de notícias de mortes por balas perdidas ou não, chacinas em presídios ou fora deles, guerra de quadrilhas de traficantes e arrastões por todo o país.

Há muito tempo, tornou-se urgente a criação de uma política nacional de segurança e a oportunidade do momento não pode ser jogada fora. A expectativa é de que o programa de segurança para todo o Brasil seja implementado com a estrita observância da lei e, principalmente, dos direitos humanos, fundamentos do Estado democrático de direito. Como bem disse o novo ministro da Segurança, Raul Jungmann, ;o Estado e a sociedade não podem se equiparar ao crime organizado, sob pena de a ele se igualar;.

No entanto, a luta contra a criminalidade só será exitosa com o apoio irrestrito da população, o que acontecerá somente se o combate for feito dentro dos ditames da lei. O Ministério da Segurança Pública não pode se ater apenas ao combate direto às quadrilhas estabelecidas e que têm ramificações em muitos estados. É fundamental a presença do Estado em todas as comunidades, nas quais o crime estende seus tentáculos, sobretudo na área social

Mesmo os críticos da iniciativa de se criar mais um ministério não podem se opor à seguinte constatação: passou da hora de o país dar um basta à violência, por meio de um programa com a participação das polícias federal e estaduais, e também das Forças Armadas, quando a situação assim o exigir, como no caso da intervenção no Rio de Janeiro. Que a experiência do estado fluminense sirva de exemplo para outros entes federativos que enfrentam situações semelhantes ou até piores.

A longo prazo, o objetivo é o aperfeiçoamento das forças de segurança locais, com treinamento e modernização das polícias Civil e Militar e o fortalecimento das corregedorias ; a punição de policiais que colaboram com o crime organizado é de importância vital para o êxito do programa. Com isso, não haverá mais necessidade de convocação das Forças Armadas para o enfrentamento direto à bandidagem. A ideia é de que, numa etapa posterior, às Forças Armadas caberá a responsabilidade do controle mais efetivo das fronteiras, com o objetivo de coibir o tráfico de drogas e armas e, consequentemente, o estrangulamento das quadrilhas que atuam nas grandes cidades.

O governo recebe críticas por ter criado uma agenda, a da segurança, depois de se ver impedido de aprovar a reforma da Previdência ; com a intervenção federal no Rio, o Congresso não pode votar propostas de emenda à Constituição. Porém, não poderia ficar de braços cruzados diante da gravidade da situação. Passo importante e simbólico foi dado ontem, durante reunião do presidente Michel Temer com governadores, quando foi anunciada a liberação de recursos para o combate ao crime.

Causa grande apreensão nas altas esferas federais a avaliação de setores de inteligência de que o crime organizado no Brasil pode se tornar um estorvo ao sistema democrático, colocando o país em situação similar à que o México vivencia hoje, e a Colômbia, anos atrás. A nação tem de cortar pela raiz, imediatamente, ameaça tão perigosa.





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