ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido

aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br
postado em 02/03/2018 00:00
A saída da crise ainda é pela porta da educação

;Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades;, dizia o poeta português Luís de Camões, no século 16. Mais do que as vontades, mudam-se até os referenciais de riqueza de uma nação. Se, no passado, o acúmulo de metais preciosos, como o ouro, indicava o nível de riqueza de um país, com o passar do tempo o critério cedeu lugar a outros indicativos mais ajustados à evolução da economia.

Com o aperfeiçoamento e emprego em larga escala da máquina a vapor no século18, a aceleração da produção e o encurtamento no tempo de viagem revolucionaram a economia, transformando e tornando ricos os países que introduziram as novas máquinas no processo de produção. Em um salto para o presente, o que se verifica hoje é que a alta tecnologia, empregada em todos os setores da economia, se transformou no grande referencial de riqueza de um país. Mas, para que uma nação atinja esse ponto de excelência, é preciso um longo trabalho de educação da população.

O consenso atual entre os economistas é que um país rico não é aquele que apenas resolveu, de modo satisfatório, o problema da pobreza e da miséria, mas, sobretudo, aquele em que os níveis de educação oferecidos à população são considerados avançados e de ótima qualidade. Desse modo, o indicativo de riqueza deixou de ser um bem material e passou a ser representado por algo aparentemente abstrato, cujos efeitos são palpáveis, concretos e duradouros. Rico é um país educado.

No ranking dos 10 países mais ricos do mundo, absolutamente todos apresentam excelentes níveis de educação oferecida à população. Neste sentido, causa grande preocupação que, repetidamente, o Brasil venha aparecendo nas derradeiras posições sempre que são apresentados os resultados da avaliação de estudantes em qualquer área do conhecimento. Pelos dados que agora chegam do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes (Pisa), uma prova coordenada pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), aplicada, em 2015, entre os 35 membros dessa entidade, e mais 35 países parceiros, o desempenho dos estudantes brasileiros em ciências, leitura e matemática mostrou uma queda acentuada, colocando o país na 63; posição em ciência, 59;, em leitura, e no 66; lugar, em matemática. Praticamente, os últimos lugares. É um vexame e uma vergonha, para todos nós, que nossos alunos apareçam colocados nessa posição, o que demonstra que temos muito a fazer se quisermos, algum dia, tirar o país da condição de subdesenvolvido e fornecedor de matérias-primas baratas.

Relatório apresentado pelo Banco Mundial demonstra que o Brasil, a continuar nesse passo lento em educação, necessitará, pelo menos, de 260 anos para atingir o nível educacional de países desenvolvidos em leitura e 75 anos em matemática. Para os especialistas, existe uma crise de aprendizagem que afeta grande parte do Ocidente, mas, no Brasil, esse problema assume contornos de um verdadeiro flagelo, capaz de tolher o futuro de milhões de jovens. Análises do relatório mostram ainda que cidadãos mais bem educados tendem a valorizar mais a democracia.





A frase que foi pronunciada

;O homem não é nada além daquilo que a educação faz dele.;
Immanuel Kant





Leitores
; Nossa leitora Regina Ivete, ao ler a notícia da Biblioteca de Portas Abertas, se lembrou que até hoje a Biblioteca Demonstrativa de Brasília está inativa. Então, nem vamos tocar no assunto Teatro Nacional.


Sem cultura
; Gerida pela Secretaria de Educação, a Escola de Música de Brasília paga pela ignorância administrativa. Para ensaiar uma ópera, por exemplo, é preciso de um pianista, do regente e do cenógrafo. A pergunta dos burocratas. Mas três professores para 30 alunos? Sim. Um pianista não rege e um cenógrafo não toca piano.


Atualização
; Uma resolução da Adasa, daquelas que ninguém entende para quê e para quem, vige em salas comerciais da seguinte forma. Há um valor mínimo a pagar pela água. Consumida ou não, o comerciante deve desembolsar o equivalente a 10 metros cúbicos de água, por volta de R$ 70, o que traz dois problemas. O primeiro é pagar pelo que não consumiu (o que é um abuso inquestionável) e o segundo é gastar a água abundantemente, já que está pagando por ela (é direito, mas estamos em crise hídrica). Por isso, está na hora de repensar esse lucro pelo desperdício e o consumidor pagar apenas o que gasta.


Leitor
; Estilo inconfundível, Vicente Limongi Netto nos pede para registrar o aniversário da grande figura humana e profissional Laércio Gomes Gonçalves. Médico dos mais conceituados em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Goiás, Laércio tem clínica no Lago Sul, onde recebe amigos e pacientes com competência, fidalguia
e carinho.





História de Brasília
As informações acima, foram ouvidas de um deputado, uma das vozes tradicionais do parlamento. Agora, a nossa opinião: é uma vergonha, um deputado fazer a chantagem da apresentação de um voto de censura condicionado a imposições políticas, dependendo de nomeações de apadrinhados. (Publicado em 14/10/1961)






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