Direita italiana desfila unidade

Direita italiana desfila unidade

postado em 02/03/2018 00:00
 (foto: Alberto Pizzoli/AFP)
(foto: Alberto Pizzoli/AFP)


Os líderes das três forças de direita que lideram as preferências para a eleição legislativa de domingo, na Itália, encerraram ontem a campanha com uma entrevista coletiva na qual procuraram demonstrar unidade em torno de um programa viável para o país. Silvio Berlusconi, do Força Itália (centro-direita), Matteo Salvini, da Liga (extrema-direita) e Giorgia Meloni, do Fratelli d;Italia (extrema-direita), dividiram os ataques entre dois alvos: o primeiro-ministro Paolo Gentiloni, do Partido Democrático (centro-esquerda), e a legenda de protesto Movimento 5 Estrelas (M5S), que disputa com o bloco direitista a liderança nas pesquisas de opinião.

Confiante na vitória, Berlusconi lançou o nome do presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, para chefiar ;o futuro governo de centro-direita;. E reforçou a mobilização dos eleitores para que confirmem nas urnas o favoritismo demonstrado nas pesquisas. ;Sejam todos missionários;, apelou Berlusconi, ex-premiê que se tornou inelegível , devido a condenações por corrupção, mas que busca voltar ao centro do palco político ; ainda que como eminência parda de um futuro governo. ;Saiam todos para votar, levem também as tias velhinhas para votar;, apelou. Durante a campanha, o magnata das comunicações e ex-presidente do time de futebol Milan chegou a defender bandeiras clássicas da direita, como a deportação de imigrantes.

A expulsão em massa de estrangeiros em situação irregular e a imposição de barreiras à imigração fazem parte do denominador comum mínimo negociado entre as três forças para viabilizar uma coalizão, como exige a nova legislação eleitoral. O programa do bloco inclui ainda a reforma do sistema previdenciário e uma simplificação do sistema fiscal, com a introdução de um imposto único e fixo. De acordo com o Observatório Italiano de Contas Públicas, da Universidade Católica, o cumprimento dessas promessas eleitorais teria um custo de 136 bilhões de euros. O economista Roberto Perotti, da Universidade Bocconi, calcula um valor entre171 e 310 bilhões de euros.

;Não vemos a hora de assumir o governo pelo voto popular;, emendou o líder da Liga, Matteo Salvini, ao fim de uma maratona de comícios à frente da legenda ultradireitista, herdeira da separatista Liga Norte. Giorgia Meloni, do Fratelli d;Italia, endossou o discurso nacionalista e defendeu a criação de um ministério para promover ;a justiça social, o turismo, os produtos made in Italy e o emprego para os italianos;.

Também o M5S, criado pelo comediante Beppe Grillo, encerrou a campanha apresentando sua equipe de governo, embora tenha chances menores conquistar maioria e recuse, até aqui, a opção de buscar acordos de coalizão. Correndo por fora, com a centro-esquerda sem a expectativa de se manter no governo, o premiê Paolo Gentiloni resignou-se a lamentar o que classificou como ;um festival surreal de propostas milagrosas;.




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