Obituário

Obituário

postado em 02/03/2018 00:00
 (foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 18/3/13)
(foto: Carlos Moura/CB/D.A Press - 18/3/13)


Nita Varela, 88 anos, uma mulher culta e cercada de amigos

Mulher culta, de valores e cheia de amigos. Assim era vista Nita Varela pelos que a conheciam. Aos 88 anos, a viúva de Edilson Cid Varela, um dos fundadores do Correio Braziliense, faleceu ontem, após ficar dois meses internada no Hospital Daher por conta de uma pneumonia.

Na década de 1950, Nita deixou o país de origem, Portugal, para tentar a vida no Brasil. Aqui, conheceu Cid Varela, com quem se casou. Em 1959, mudou-se do Rio de Janeiro para Brasília, acompanhando o marido que, a pedido de Assis Chateaubriand ; criador do grupo Diários Associados ;, veio fundar o jornal e instalar a TV Brasília.

Sempre ao lado de Cid, Nita se tornou uma figura conhecida na capital. A elegância, delicadeza e valorização dos amigos e familiares eram traços marcantes da portuguesa, que se considerava também brasileira. Amante das viagens, aproveitava cada oportunidade para visitar Nova York e Paris, seus destinos favoritos. Fora de casa ou não, levava consigo sempre um livro na mão. Todo dia, pela manhã, também se ocupava lendo as notícias.

Tempo para passar com os amigos também era prioridade para Nita. ;A gente estava sempre juntas. Ela era amiga e uma irmã para mim. Uma amizade verdadeira, pessoa maravilhosa, fina;, descreveu a concunhada Celeste Varela.

Felipe Varela se recorda com emoção da tia. ;Sempre saíamos para jantar, assistir filmes, viajar. Ela era uma companhia extraordinária. Mulher de muitos amigos, valores, sempre correta e discreta. Teve uma vida maravilhosa;, ressaltou.

Nita Varela será enterrada hoje, as 17h, no Cemitério Campo da Esperança.



Seu Claro, 90 anos, um ícone da Chapada dos Veadeiros

Duas frases ditas no fim do ano passado, em entrevista ao jornal produzido por alunos da Escola Municipal do povoado de São Jorge (GO), revelam o modo como Claro Alves Machado levava a vida: ;Aqui nada me deixa triste, só me dá felicidade;. ;Nunca tive inimigo. Nunca briguei com ninguém;. Por meio das afirmações, também fica fácil saber por que o comerciante se tornou uma das figuras mais conhecidas e queridas da Chapada dos Veadeiros, em Goiás.

Seu Claro morreu na madrugada de ontem, aos 90 anos, no Hospital Regional da Asa Norte (Hran), após sofrer um acidente com o carro na gararem de casa, na última semana, em São Jorge. A notícia foi recebida com surpresa e enorme pesar por todos que conheciam o comerciante. ;Era uma pessoa muito querida por moradores e turistas. Um ícone da Chapada;, definiu João Lino, gerente de Projetos e Produtos Turísticos da Goiás Turismo.

Nascido em 16 de janeiro de 1928, em uma região que hoje pertence ao município de Mambaí (GO), Seu Claro rodou por cidades mineiras e goianas antes de fixar residência em São Jorge, em 1952, atraído por um garimpo de cristais. ;Seu Claro contribuiu com tudo. Ajudou a fazer a escola e a igreja do povoado, nas décadas de 60 e 70. Ele também foi um ;Banco Central;, quando o garimpo acabou. Como ninguém tinha dinheiro, ele aceitava trocar lasca de cristal por comida e outros mantimentos;, lembrou Paulo José, gestor de patrimônio cultural e amigo de Claro desde 1987.

Com o fim do garimpo, nos anos 1980, Seu Claro abriu a mercearia pela qual ficaria conhecido o resto da vida. Sempre rodeada de clientes, a loja era famosa pelo Gergeliko, um biscoito feito com gergelim e água, que conseguia ser nutritivo e barato. ;Ele era muito brincalhão. Ficava deitado em uma rede dentro do armazém. Mas ele sempre levantava com a maior boa vontade. Queria vender e bater papo;, ressaltou o guia turístico Rafael Teixeira.

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