360 graus

360 graus

Jane Godoy janegodoy.df@dabr.com.br
postado em 02/03/2018 00:00
 (foto: Arquivo Pessoal)
(foto: Arquivo Pessoal)


A advocacia foi trocada pela arquitetura


goiano da vizinha Anápolis, André Alf pensava em ser advogado. Com grande pendor para o design, com que ele trabalhava havia algum tempo, o futuro bacharel em direito resistiu até o quarto ano, quando decidiu vir para Brasília, em 1989, e se deixou seduzir pela arquitetura. ;Meu primeiro trabalho aqui se iniciou em 1990;, recorda-se. Na Universidade de Brasília (UnB), tornou-se arquiteto e urbanista, especializando-se em design de interiores. Em 1997, fez pós-graduação em arquitetura hospitalar, também pela UnB.

;Desde criança eu era envolvido com arte e também com a música. Tinha mania de mudar os móveis de lugar e isso gerava muitas broncas em casa (risos);, lembra. Quando completou 17 anos, André passou a ajudar um amigo que era arquiteto a fazer vitrines de lojas. Estudante de direito, começou a namorar uma estudante de arquitetura.

;Passei a ajudá-la em seus trabalhos e fui descobrindo que tinha aptidão para a coisa, até que me apaixonei pela carreira e decidi me tornar arquiteto. Foi o que aconteceu, desde então; revela, garantindo: ;Acho que os exemplos foram importantes mas a minha verdadeira vocação falou mais alto;.

O começo de tudo

Recém-formado, André iniciou o trabalho num escritório no Lago Sul, onde permaneceu por seis meses, transferindo-se para outro, onde ficou por uns 4 anos. ;Aprendi muito;, assegura. Depois desse tempo, veio o primeiro escritório, batizado com o nome de Quadra 3 Arquitetura, que montou com duas sócias.

;Sempre fui chegado a funções complexas, gostava de entender e resolver os problemas. A Arquitetura hospitalar é exatamente isso. A pós-graduação, pela UnB, em 1997, me levou a trabalhar projetando hospitais e clínicas, espalhados pelo Brasil, tanto para órgãos públicos quanto privados. Durante mais ou menos 10 anos, fiz consultorias na área hospitalar para o governo por meio de Organização Pan-americana de Saúde, Unesco, Pnud entre outros;, contabiliza.

Diferenças acontecem

Existem grandes diferenças e fatores que interferem e diferem dos dois tipos de arquitetura: a convencional e a hospitalar. ;Mas é bacana ver como a arquitetura hospitalar engloba todas;, comenta. ;Para começar, devemos saber que não é viável nem aconselhável o profissional da arquitetura hospitalar fazer algo no campo da saúde sem conhecimento das normas da Anvisa;, ensina. ;A forma e a função são aliadas. O fluxo é determinante;, completa.

O especialista em arquitetura hospitalar lamenta que, no Brasil, ;infelizmente, ainda somos bem poucos no mercado e acho uma pena que os profissionais que querem atuar nessa área não busquem a formação, o que seria o ideal. Um profissional especializado em arquitetura hospitalar faz a diferença, o que, no meio, ainda é um fator até certo ponto desconhecido;, revela.

Propagador de informação

Para esse tipo de esclarecimento e informação, André Alf tenta, há anos, fazer uma divulgação com palestras em outros estados, como São Paulo, Bahia, Pará entre outros, o que o leva a ter, em seu currículo, projetos espalhados por diversos estados. Funcionalidade, ergonomia, cálculos e distribuição dos espaço úteis e outros importantes detalhes fazem do profissional especializado e estudioso do assunto uma figura imprescindível cujo trabalho se agrega à recuperação do paciente.

;A arquitetura hospitalar é tão complexa que ela acaba por transformar nossa visão e aperfeiçoar nossa análise crítica. Nos faz crescer e refinar nosso trabalho do ponto de vista prático e técnico;, conclui.


1989

Ano de chegada de André Alf a Brasília


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação