Ultimato britânico

Ultimato britânico

A premiê Theresa May quer uma resposta de Moscou, até o fim da tarde de hoje, sobre o ex-agente envenenado no Reino Unido. Na primeira declaração sobre o caso, o presidente Vladimir Putin rebate acusações ao Kremlin e desafia Londres a "descobrir" o que houve

postado em 13/03/2018 00:00
 (foto: HO/AFP)
(foto: HO/AFP)




O presidente da Rússia, Vladimir Putin, tem prazo até o fim da tarde de hoje para esclarecer como o ex-agente Sergei Skripal, 66 anos, asilado no Reino Unido desde 2010, foi envenenado com um agente neurotóxico que, de acordo com o governo britânico, é de uso militar e de fabricação russa. Skripal e a filha, Yulia, 33, lutam pela vida desde o último dia 4, quando foram encontrados em um banco de praça na cidade inglesa de Salisbury. O policial que os socorreu também está hospitalizado em situação grave. Falando ao parlamento, que pressiona por represálias, a primeira-ministra Theresa May deu o ultimato ao Kremlin e cobrou explicações formais, exigência transmitida oficialmente ao embaixador russo. Em campanha para uma reeleição que parece segura, no próximo domingo, o presidente Vladimir Putin delegou a Londres a responsabilidade por investigar e esclarecer o caso.

;É muito provável que a Rússia seja responsável pelo ato; contra Skripal e a filha, disse a premiê, que se encontra sob forte pressão da oposição trabalhista e da própria bancada conservadora (governista) para adotar represálias. ;Ou se tratou de uma ação direta do Estado russo contra o nosso país, ou o governo russo perdeu controle sobre um gás de efeitos potencialmente catastróficos e permitiu que fosse parar em outras mãos.;

Depois de reunir-se com ministros e responsáveis pelas áreas de segurança e inteligência, May informou os parlamentares de que o chanceler Boris Johnson chamou para explicações o embaixador russo e exigiu que até o fim da tarde de hoje sejam dadas informações sobre o programa de desenvolvimento e produção do gás neurotóxico Novichok ; proibido, como outras armas químicas, por uma convenção internacional da qual a Rússia é signatária. ;Caso não tenhamos uma resposta crível, vamos concluir que se tratou de uma ação em que a Rússia usou meios ilegais contra o Reino Unido;, frisou a premiê.

Em campanha no sul do país, na reta final para a eleição presidencial de domingo, Vladimir Putin falou pela primeira vez sobre o episódio desde que Skripal e a filha foram hospitalizados. Questionado por um repórter da rede pública britânica BBC que acompanhava seu deslocamento em uma área agrícola de Krasnodar, o presidente russo, de início, lamentou ter de ;responder sobre uma tragédia quando estamos aqui falando sobre como alimentar as pessoas;. Depois, remetendo-se diretamente à questão sobre a eventual responsabilidade de seu governo pelo envenenamento do ex-espião, o presidente russo foi categórico: ;Esclareçam as coisas do seu lado. Depois conversamos com vocês;.

Na mesma linha, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, foi categórico em afirmar que a investigação do caso é assunto britânico. ;Não é nosso problema;, disse à imprensa, em Moscou. ;O cidadão russo mencionado tinha trabalhado para os serviços especiais britânicos;, retrucou. ;O incidente ocorreu em território britânico e não é, de modo algum, problema da Rússia ou das suas autoridades.; Mais contundente, a porta-voz da chancelaria russa, Maria Zakharova, classificou a polêmica em torno do ex-agente envenenado como ;um espetáculo circense no parlamento britânico;.

Skripal foi condenado em seu país, em 2006, por ter fornecido informações sigilosas ao MI-6, o serviço britânico de inteligência militar externa. Em 2010, foi entregue ao Reino Unido, na condição de asilado, no marco de uma troca de espiões entre Londres e Moscou. Seu caso segue ao de Alexander Litvinenko, outro ex-agente russo, morto em 2006, também no Reino Unido, por contaminação com polônio, um elemento radioativo. Na ocasião, as autoridades britânicas apontaram o governo russo como possível responsável pelo assassinato, mas não puderam apresentar provas conclusivas.

Em Salisbury, cerca de 500 pessoas que estiveram em um restaurante e um pub frequentados por Sergei e Yulia Skripal antes de serem hospitalizados foram instruídas a lavar e desinfetar pertences como roupas e telefones celulares. Ambos os estabelecimentos, assim como o banco onde pai e filha foram encontrados, estão isolados. O sargento-detetive Nick Bailey, que atendeu a ocorrência, seguia internado em situação grave, mas estava consciente e conversando com familiares.




"É muito provável que a Rússia seja responsável pelo ato;
Theresa May, primeira-ministra do Reino Unido




"Esclareçam as coisas do seu lado. Depois conversamos com vocês;
Vladimir Putin, presidente da Rússia




Pacote suspeito no parlamento
A descoberta de um pacote suspeito na sede do parlamento, em Londres, levou a polícia a transferir dois funcionários ; uma mulher e um homem ; para um hospital, como medida de precaução. A ocorrência foi registrada no edifício Norman Shaw, que abriga os gabinetes dos deputados. Um porta-voz da polícia informou, mais tarde, que a análise do material não revelou a presença de nenhuma substância perigosa. O pacote estava endereçado para o parlamentar trabalhista Mohammad Yasin, que no momento não se encontrava no local, de acordo com a assessoria.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação