Polícia investiga abuso sexual

Polícia investiga abuso sexual

Acusado de matar mãe e filhos nega o crime, mas delegado vê inconsistências no depoimento. Há suspeitas de que os três também tenham sofrido estupro. Os corpos serão velados hoje, ao meio-dia, no cemitério da cidade

» Luiz Calcagno
postado em 13/03/2018 00:00
 (foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)
(foto: Carlos Vieira/CB/D.A Press)


Amigos e parentes da família assassinada em Águas Lindas de Goiás prestarão homenagem às vítimas hoje. O velório está marcado para o meio-dia, no cemitério da cidade. Suzete dos Santos Miranda, 32 anos, e os dois filhos, João Vitor dos Santos Fagundes Miranda, 6, e Joice Miranda Fagundes, 4, foram assassinados a golpes de faca e tesoura, entre a noite de quinta-feira e a madrugada de sexta, na casa em que moravam, no Bairro Jardim Guaíra 2, no município goiano a 54km de Brasília. O suspeito dos assassinatos, identificado apenas como Valdimar, está preso temporariamente e a Polícia Civil do estado reúne provas para converter a prisão em preventiva. Ele nega o crime.

O chefe do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH), Cléber Júnior Martins, suspeita de crime passional. Segundo ele, o suspeito havia tido um ;namoro breve; com Suzete e queria retomar esse relacionamento. Às vezes, ele a ajudava com as despesas de casa, na tentativa de conquistá-la. ;Embora o suspeito tivesse união estável com outra pessoa, ele tinha declarado que a deixaria caso Suzete o aceitasse novamente. Ele era insistente com isso. A mulher dele sabia e nos contou que chegou a procurar a vítima, que declarou não ter nenhuma intenção de ficar com Valdimar;, explicou o delegado.

Além do relacionamento e da fixação por Suzete, Valdimar é considerado o principal suspeito do assassinato por ter sido a última pessoa a estar com a família. Segundo Cléber, ele bebia com Suzete na noite de quinta no bar da irmã da vítima, horas antes do homicídio. Após o momento de descontração, ele os deixou em casa. ;Ele admitiu que levou as vítimas em casa. Disse que ficou lá por 30 minutos e foi embora. Só que também conversamos com a mulher com quem ele se relaciona oficialmente e alguns pontos dos depoimentos dos dois se contradizem. Segundo ela, ele chegou em casa mais tarde e estava estranho. Tinha o costume de dormir sem camisa, mas passou a dormir vestido, supostamente para esconder alguma ferida;, explicou.

À espera de exames

O delegado contou que, após a prisão, o suspeito não tinha marcas de briga, mas apresentou uma pequena mancha nas costas, semelhante a uma mordida de criança. Valdimar passou a tarde de ontem fazendo exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML) de Luziânia (GO). Os exames também vão confirmar se o suspeito estuprou as vítimas. Segundo o delegado, todas exibiam ;indícios de violência sexual;. ;O laudo do IML vai confirmar se ocorreu essa violência e se Valdimar realmente foi mordido. Isso indicaria que uma das crianças pode ter reagido no momento do crime;, supõe.

Cleber também comparou os depoimentos de um cunhado de Suzete, que encontrou os corpos, e o do suspeito. ;O cunhado estava abalado. Mas, Valdimar, que dizia amar as vítimas, não esboçou reação nem diante das fotos;, afirmou. A mãe e a filha sofreram golpes de tesoura e o menino foi morto com facadas no pescoço. O suspeito responderá por triplo homicídio qualificado (por motivo fútil e emprego de recursos que impediram a defesa das vítimas), sendo que as penas relativas ao crime contra a mãe e a filha podem ser agravadas por feminicídio. Se a perícia confirmar a violência sexual, ele também responderá por estupro e estupro de incapaz. A punição pode chegar a 145 anos de prisão.

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