Três perguntas/ Arlene von Sohsten, coordenadora de projetos de arte-educação

Três perguntas/ Arlene von Sohsten, coordenadora de projetos de arte-educação

postado em 13/03/2018 00:00

Qual a importância de levar o teatro e as artes cênicas para as escolas, seja em oficinas, apresentações seja em cursos?
Pensar em mediação é pensar em educação dos sentidos para a vida, é instigar o educando a vislumbrar a multiplicidade dos modos de leitura das coisas do mundo. Além disso, o contato com manifestações artísticas e a reflexão a partir delas é uma forma privilegiada para se conhecer diferentes visões de mundo. Vale ressaltar ainda que em um dia (às quartas-feiras) levamos cerca de 400 estudantes a um espaço maravilhoso, que neste ano é o Teatro Sesc Paulo Gracindo no Gama, espaço este que é pouco ou nada utilizado pela comunidade, mesmo estando sempre aberto para recebê-los. Acho que esses estudantes tem a faca e o queijo, só não descobriram ainda a fome. Que, neste caso, seria o desejo de ir ao teatro, de descobrir que esse espaço está tão perto deles e de portas abertas.

Essa participação em escolas pode colaborar para a formação de um público que frequente o teatro e outras expressões artísticas?
Com certeza, esse é um dos objetivos do projeto e acredito que estamos caminhando nessa direção. Em vários países a formação de público é algo intrínseco ao processo de educação formal. As escolas têm efetiva parceria com os centros culturais que oferecem formação para professores, espetáculos durante todo o ano, transporte, programa educativo, dentre outras coisas. Assim, as instituições de ensino já compreendem o contato com obras de arte e a educação estética como parte fundamental do currículo escolar. Há muitas pesquisas hoje apontando para os benefícios (que extrapolam o âmbito artístico) desse tipo de iniciativa. Trata-se de uma política pública.

Os alunos têm costume de ir ao teatro, já assistiram a muitos espetáculos ou normalmente é um público que não tem essa vivência?
Uma das coisas mais emocionantes é quando perguntamos quem está ali, no teatro, pela primeira vez. Quase toda a plateia levanta a mão. Uma plateia de aproximadamente 200 estudantes. Além de gratificante, eventos como esse nos levaram a refletir sobre a resposta para duas grandes questões que afligem profissionais da arte e da educação. Durante a graduação escutei várias vezes: ;Por que os teatros estão vazios, onde está o público?; E quando entrei na rede pública de ensino, passei me perguntar ;por que estudantes (sobretudo de escolas públicas das regiões mais distantes do Plano Piloto) não têm acesso a espetáculos de teatro?; A resposta, ou melhor, uma possível ponte, está em projetos de formação de plateia que trabalham a curto e longo prazos.

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