Insegurança aumenta com desgovernança

Insegurança aumenta com desgovernança

postado em 13/03/2018 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A Press)
(foto: Ed Alves/CB/D.A Press)

O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes acredita que a falta de governança no Estado brasileiro é um dos motivos para a intervenção militar no Rio de Janeiro. O colapso na segurança pública, segundo ele, é resultado da péssima gestão nas fronteiras, o que facilita o contrabando e aumenta a insegurança da população. ;A nossa capacidade nas fronteiras do país é um fiasco. Várias instituições que não se conversam. Hoje, a Receita Federal e a Polícia Federal estão melhorando. Estou monitorando um acórdão em relação a isso;, destaca ele, citando dados apresentados pelo presidente do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (Etco), Edson Vismona, de que o contrabando provoca perdas na arrecadação entre R$ 130 bilhões e R$ 140 bilhões por ano. ;É necessária uma transformação da nação. Os líderes têm que estar conscientes desse papel, que não é o de impor, mas de motivar as pessoas para transformar;, destaca.

Na avaliação de Nardes, a solução do problema da violência crônica no Rio passa pela governança, não apenas na área administrativa de cada estado, mas também entre as polícias, que não se conversam, principalmente, as dos estados que fazem divisa com outros países. ;Os militares não podem ficar muito tempo e é preciso ter uma estratégia de médio e longo prazos coordenada com os vizinhos;, afirma, ressaltando que a insegurança também ronda o entorno do Distrito Federal.

;Estamos diante de uma hecatombe também em Brasília. Temos 1,5 milhão de pessoas morando de forma ilegal no Entorno do DF. É impressionante o número de áreas públicas sendo invadidas. E o estado não tem governança da sua terra, do seu patrimônio;, denuncia. ;A falta de governança é total no entorno de Brasília. É total no entorno do Rio de Janeiro. Quem comanda é o crime, e, se formos para a rua, em boa parte das capitais brasileiras, o quadro é o mesmo. Incapacidade do Estado de governar. É seriíssimo o que vivemos no país;, destaca.

Apesar do quadro nada animador, o ministro demonstra otimismo em relação às eleições, porque ele espera que ;a ficha caia; para os próximos líderes que serão eleitos, e que eles se comprometam a encarar esse problema como prioridade. ;Esperamos ter alguém com capacidade de trazer a confiança de volta, o sentimento de patriotismo e o investimento para o país, porque boa parte já está indo embora para o Paraguai;, afirma. Para Nardes, mais de 450 mil brasileiros e 150 empresas já migraram para o país vizinho.

;Temos que partir para uma transformação da nação e a governança é o grande pano de fundo que o país precisa para fazer uma reflexão. Arrecadar, nós sabemos. Gastar, nós sabemos. Jogar dinheiro na sarjeta e ao vento é a coisa mais simples e fácil no Estado brasileiro;

Augusto Nardes, ministro do Tribunal de Contas da União

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