Na cadência do samba

Na cadência do samba

Mais de dez anos depois de abandonar a carreira de jogador de futebol, Diogo Nogueira marca um gol de placa com o disco Munduê

» Irlam Rocha Lima
postado em 19/03/2018 00:00
 (foto: Rafaê Silva/Divulgação-9/9/17)
(foto: Rafaê Silva/Divulgação-9/9/17)


Intelectual e ativista militante, criador do Clube do Samba, mestre João Nogueira certamente estaria orgulhoso do filho que, depois de tentar ser jogador de futebol, tornou-se um dos expoentes da nova geração do gênero musical mais representativo do país.

Dez anos após dar início à carreira de cantor e compositor, Diogo Nogueira brilha nos palcos e em discoS. Para comemorar a primeira década nesse ofício, ele acaba de lançar Munduê, 11; disco, o primeiro em que todas as músicas têm a sua assinatura.

No CD foram registrados 14 sambas e, na grande maioria, Diogo tem como parceiros sambistas da própria geração: Inácio Rios (Dança do tempo e No pé que está), Leandro Fregonesi (Tempos difíceis e Mercado popular) e Fred Camacho (Coragem e Em nome do amor). A eles se juntam Leandro Fab, Mosquito, Raphael Richaid, Raul de Caprio e Felipe Donguinha. Esse grupo é responsável por um repertório de forte apelo popular.

Há ainda nesse projeto a presença de dois brasilienses. O bandolinista Hamilton de Holanda fez com Diogo e Bruno Barreto a música que dá nome ao álbum. O violonista Rafael dos Anjos se juntou ao cavaquinista Alessandro Cardoso na produção do disco. Eles são também parceiros de Diogo na faixa Me chama.

Criação conjunta de Dona Ivone Lara, Bruno Castro, Ciraninho e Diogo, Império e Portela surge como um dos melhores momentos desse projeto. Com conhecimento de causa e muita afetividade, os quatro tecem loas às tradicionais escolas de Madureira, que poderiam ser rivais, mas são vistas como coirmãs.

Reverente, em Munduê Diogo presta tributo a outro bamba, o saudoso baterista e compositor Wilson das Neves, morto ano passado. Na concepção gráfica, o cantor, com humanidade e delicadeza, buscou mostrar aspectos da comunidade quilombola São José da Serra, em Conservatória, a mais antiga do Rio de Janeiro. Fez isso por meio das fotos de Rafaê Silva que ilustram a capa, a contra-capa e o encarte.

Munduê
CD de Diogo Nogueira com 14 faixas, produzido por Rafael dos Anjos e Alessandro Cardoso. Lançamento Universal Music. Preço sugerido: R$ 24,90.

;O Chico (Buarque) me ligou do nada para dizer que tinha feito uma música com o Ivan Lins e que queria que eu gravasse. Quer presente maior que esse?;

;A arte precisa sempre fazer a parte dela de forma natural, mas trazendo mais amor para a vida das pessoas, mais humanidade, menos intolerância.;

;Quanto mais a humanidade regride em diversos aspectos, mais sinto força e necessidade de falar de amor, de generosidade e amizade entre
as pessoas.;

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