S.O.S. bacias da Mata Atlântica

S.O.S. bacias da Mata Atlântica

postado em 19/03/2018 00:00
 (foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 26/2/15
)
(foto: Gustavo Moreno/CB/D.A Press - 26/2/15 )

Mais de um quinto da água de rios, córregos e lagos da Mata Atlântica é impróprio para o uso, constatou a Fundação S.O.S. Mata Atlântica, em panorama divulgado hoje. Após avaliar a qualidade da água em 294 pontos de bacias hidrográficas da região, a fundação concluiu que, em apenas 12 deles, ou 4,1% do total, a água é considerada boa. Em 20,1%, é ruim ou péssima. Nenhum dos locais analisados foi avaliado como ótimo.

Na maioria dos pontos (222, ou 75,5%), inclusive no Córrego do Urubu, no Distrito Federal, a situação da água é regular. Significa dizer que está no limite dos padrões definidos na legislação brasileira para usos menos restritivos, como recreação, navegação e irrigação. ;A condição de qualidade regular da água demanda atenção especial dos gestores públicos e da sociedade;, alerta o levantamento, feito em 102 municípios dos 17 estados da Mata Atlântica, além do Distrito Federal, entre março de 2017 e fevereiro de 2018. Mais de 3,5 mil voluntários do Programa Observando os Rios coletaram e analisaram a água de rios, córregos e lagos mensalmente.

Os resultados, na opinião da coordenadora do estudo, Malu Ribeiro, mostram ;a fragilidade da condição ambiental dos principais rios da Mata Atlântica e a urgência de incluir o assunto na agenda estratégica do Brasil;. Rios e águas contaminados são reflexo da ausência de saneamento ambiental, gestão e governança, ressaltou a especialista. ;Ainda estamos distantes do que a sociedade necessita;, concluiu Malu.

De acordo com a diretora executiva da SOS Mata Atlântica, Marcia Hirota, o objetivo do levantamento é contribuir para o aprimoramento de políticas públicas voltadas à gestão da água. ;Ao reconhecer os rios como espelhos da qualidade ambiental das cidades, regiões hidrográficas e países, conseguimos identificar rapidamente os valores da comunidade, a condição de saúde na bacia e de desenvolvimento;, pontuou.

Para que a situação comece a mudar, Marcia considera fundamental a implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos em todo o território nacional, por meio dos comitês de bacias hidrográficas e implementação total dos instrumentos de gestão, que incluem o enquadramento dos corpos de água em classes, a outorga dos direitos de uso de recursos hídricos e a cobrança pelo uso da água. (AA)

Acesso insuficente

A discussão sobre políticas que podem ser adotadas por indústrias para racionalizar o uso da água tomou conta do evento Water Business Day, realizado ontem na Confederação Nacional da Indústria (CNI). Um dos problemas discutidos no encontro foi o fato de que, atualmente, 34 milhões de brasileiros não têm acesso à rede de abastecimento de água, o que equivale a 40% da população.

Segundo a presidente da BRK Ambiental, Teresa Vernaglia, o país joga esgoto bruto nos mananciais e rios. Não por acaso, R$ 4,2 bilhões ; ou 60% do que a empresa investirá em questões hídricas ; serão voltados à coleta e tratamento de esgoto.

Universalizar os sistemas de esgoto no Brasil até 2023 exige um investimento de R$ 20 bilhões por ano, estima Teresa. (AA)


Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação