Kuczynski denuncia tentativa de golpe

Kuczynski denuncia tentativa de golpe

Presidente contesta argumentos da oposição de que não tem capacidade moral para comandar o país. Ele enfrenta o segundo processo de impeachment em três meses

postado em 19/03/2018 00:00
 (foto: Christian Miranda/AFP)
(foto: Christian Miranda/AFP)

Sob a ameaça de perda de mandato pela segunda vez em menos de três meses, o presidente do Peru, Pedro Pablo Kuczynski, disse que o país sofrerá ;um golpe de Estado; caso o Congresso, dominado pela oposição, o destitua na próxima quinta-feira. Pesa contra PPK, como é conhecido, a acusação de mentir sobre seus vínculos com a construtora brasileira Odebrecht. ;Absolutamente, isso seria um golpe de Estado. Eu não acredito que vá acontecer, mas seria um golpe de Estado;, declarou o presidente em uma entrevista publicada ontem no jornal popular Trome, o de maior circulação no país.

O presidente, um empresário de direita de 79 anos, contestou ser ;um incapaz moral;, como argumenta a moção de impeachment apresentada pela oposição no Congresso. Ele também negou ter cometido atos ilegais com a Odebrecht, por meio de suas companhias nos anos em que se dedicava ao setor privado. Em dezembro passado, PPK, que assumiu a Presidência em 2016, sobreviveu a uma votação similar no Congresso. Seu mandato de cinco anos se encerra em julho de 2021.

;A incapacidade moral à qual a Constituição peruana se refere é a capacidade mental, é o caso de que alguém fique com Alzheimer ou algo assim;, disse Kuczynski, acrescentando: ;É totalmente inaplicável ao meu caso, pode-se ser destituído por não convocar eleições, por sair do país sem permissão, coisas muito pontuais que não se aplicam (ao meu caso);.

Na sexta-feira passada, um dia depois da abertura do processo de impeachment, PPK prestou depoimento sobre as relações com a Odebrecht, que ele garante não existirem, à uma comissão parlamentar e também ao Ministério Público.

Fujimoristas
Também ontem, a Justiça peruana determinou o impedimento de saída do país dos fujimoristas Jaime Yoshiyama e Augusto Bedoya e do empresário Ricardo Briceño, ex-diretor do maior sindicato patronal do país. O partido fujimorista Força Popular ; antes Força 2011 ; é investigado por suposto delito de lavagem de dinheiro depois de receber US$ 1,2 milhão da Odebrecht para financiar a campanha presidencial de Keiko Fujimori em 2011.

;Requer-se a presença dos três investigados, já que existe a probabilidade iminente de que possam sair do país e não voltarem;, sustentou o juiz Richard Concepción Carhuancho ao aprovar o pedido da Procuradoria. A ordem judicial os impede de deixar o Peru por 18 meses e enfatiza que a investigação demonstra que ;existem elementos de convicção que os vinculariam com a lavagem de ativos;.



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