Leilão de petróleo bate recorde: R$ 8 bi

Leilão de petróleo bate recorde: R$ 8 bi

Valor arrecadado pelo governo com a concessão de áreas de exploração de petróleo e gás supera as expectativas e marca a volta de grandes petroleiras ao mercado brasileiro. Receita vai ajudar a melhorar o desempenho das contas públicas

Rosana Hessel
postado em 30/03/2018 00:00
 (foto: Agência Petrobras

)
(foto: Agência Petrobras )


O mercado financeiro operou alheio aos novos capítulos da crise política que envolve o presidente Michel Temer e vivenciou um dia de ganhos e de forte apetite de investidores estrangeiros no país. A melhor notícia para o governo, ontem, foi o resultado do leilão da 15; Rodada de Licitações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), que surpreendeu e ajudou a impulsionar a alta da Bolsa de Valores de São Paulo (B3) de quase 2%. Conforme dados do órgão regulador, foram arrecadados mais de R$ 8 bilhões com a concessão de áreas de exploração, com ágio médio de 621,91%, um novo recorde para as rodadas de regime de concessão.
;O leilão superou todas as expectativas. Tivemos diversidade de operadores, diversidade geográfica e bônus extraordinários;, resumiu o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, após o fim das negociações dos blocos leiloados. O último recorde tinha sido de R$ 3,8 bilhões, na 14; Rodada de Licitações, ocorrida há seis meses.

Na véspera, o governo ficou preocupado com o sucesso do leilão, porque o Tribunal de Contas da União (TCU) retirou da rodada justamente os dois blocos mais rentáveis entre os 70 listados, que estavam localizados na Bacia de Santos e representariam uma arrecadação mínima de R$ 3,55 bilhões. A estimativa de receita com bônus de assinatura dos lotes remanescentes era baixa, variando de R$ 450 milhões, se fosse considerado o preço mínimo, a R$ 1,1 milhão, considerando o ágio médio.

Dos 68 blocos ofertados pela ANP no leilão de ontem, apenas as áreas marítimas tiveram interessados enquanto as terrestres foram ignoradas. Foram arrematados 22 dos 47 blocos marítimos no litoral dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Sergipe, Alagoas, Ceará e Rio Grande do Norte. Entre os blocos adquiridos, o SC-AP5, na Bacia de Campos (RJ), foi o que registrou maior valor arrecadado: R$ 2,824 bilhões. O maior ágio, segundo a ANP, foi o do bloco C-M-657, também na Bacia de Campos, de 1.314%, que arrecadou o segundo maior valor: R$ 2,128 bilhões.

Diversidade
Ao todo, 13 empresas de 11 países participaram da etapa marítima, sendo que 12 arremataram blocos ; duas nacionais e 10 estrangeiras, entre elas, as norte-americanas Exxon Mobil e Chevron, e a espanhola Repsol. A Petrobras levou apenas um bloco sozinha, na Bacia Potiguar, entre o Rio Grande do Norte e o Ceará, mas adquiriu outros quatro blocos em sociedade com a Shell Brasil, a Statoil e a ExxonMobil. Esta última ficou entre as mais agressivas, arrematando oito blocos. O presidente da Petrobras, Pedro Parente, destacou a diversidade de empresas participantes no leilão e avaliou o resultado como ;muito bem-sucedido;.

Para o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (Cbie), Adriano Pires, o leilão foi emblemático, porque empresas que haviam deixado o Brasil, como a Exxon Mobil, retornaram. ;O governo tem tomado medidas corretas para que o investidor volte a olhar para o país, como a revisão da lei da partilha e do Repetro (regime especial da indústria do petróleo);, afirmou. ;O leilão surpreendeu todo mundo e esse resultado mostra que o Brasil, em primeiro lugar, voltou definitivamente ao mercado de petróleo após quase seis anos sem fazer leilões do setor;, completou.

Apetite
Na avaliação do economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, o leilão também mostrou que os investidores continuam interessados no Brasil. ;O resultado foi positivo porque mostra o apetite dos investidores no país. Além disso, a arrecadação acima da esperada é muito boa para as contas públicas, porque ajuda a elevar a confiança;, destacou. A economista-chefe da XP Investimentos, Zeina Latif, considerou que o sucesso do leilão da ANP mostrou que o ruído de mais uma crise política não abala o preço dos ativos. ;O que preocupa mais é a eleição, mas o cenário ficará mais definido apenas depois da Copa do Mundo, pois é quando os brasileiros vão começar a pensar em quem votar;, disse ela, lembrando que a reforma da Previdência não está mais no radar dos agentes econômicos, porque ficou para o próximo governo.

A assinatura dos contratos do leilão deve ocorrer até 30 de novembro. A receita acima do esperado deverá elevar a previsão da arrecadação do governo com concessões no próximo relatório bimestral de avaliação de receitas e despesas e, possivelmente, desbloquear verbas. Conforme documento divulgado no último dia 22, que contingenciou R$ 18,2 bilhões do orçamento, o governo esperava arrecadar R$ 20,3 bilhões com concessões neste ano. Procurado, o Tesouro Nacional informou que não refez as estimativas dessa receita, e que isso ocorrerá no próximo relatório bimestral.

Novas rodadas
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo (ANP), está prevista para 7 de junho a 4; Rodada de Partilha da Produção, que ofertará áreas localizadas no Polígono do Pré-sal. O calendário de rodadas prevê dois leilões para 2019, sendo a 5; Rodada de Partilha de Produção, com áreas no Polígono do Pré-sal, e a 16; Rodada de Licitação de Blocos, no regime de concessão. Na reunião ordinária de junho, o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve decidir se áreas do pré-sal da Bacia de Campos que não foram vendidas em leilão poderão integrar o banco de ofertas permanentes da Agência.

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação