Desemprego sobe para 12,6%

Desemprego sobe para 12,6%

Taxa do trimestre encerrado em fevereiro, porém, é menor do que a de um ano atrás. Segundo o IBGE, alta reflete dispensa de temporários

Vera Batista
postado em 30/03/2018 00:00
A taxa de desemprego cresceu pelo segundo trimestre consecutivo e alcançou 12,6% no período de dezembro de 2017 a fevereiro de 2018, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No trimestre de novembro a janeiro, a desocupação estava em 12,2%. Foi a segunda elevação consecutiva do indicador que, na Pnad-C, é medido com base em trimestres móveis (veja gráfico).

Segundo Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE, o crescimento do desemprego era esperado. ;Sempre no primeiro trimestre de cada ano, a taxa tende a subir, devido à dispensa dos trabalhadores temporários contratados para as festas de fim de ano;, explicou. Apesar do aumento, o índice de desocupação está menor do que há um ano ; ele era de 13,2% no período de dezembro de 2016 a fevereiro de 2017. De qualquer modo, ainda é uma taxa muito elevada, já que, segundo o IBGE, a população desempregada soma 13,12 milhões de pessoas.

Apesar da piora recente, a expectativa de analistas é a de que o mercado de trabalho melhore à medida que o ritmo da atividade econômica se intensifique.

De acordo com Jankiel Santos, economista-chefe do Haitong Banco de Investimentos, ;a médio e a longo prazos, a tendência, embora não tão intensa quanto se esperava, é de recuperação;, pois o cenário atual reflete os erros do passado que provocaram uma onda de demissões. ;A taxa de ocupação não subirá rápido porque haverá pressão dos que estão fora da força de trabalho;, afirmou.

Melhora consistente, disse o economista, ;somente a partir do próximo governo, dependendo de quem for o eleito;.

O mercado de trabalho no país perdeu 611 mil vagas com carteira assinada no período de um ano. O total de postos de trabalho formais no setor privado encolheu 1,8% no trimestre encerrado em fevereiro ante o mesmo período do ano anterior, segundo os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), iniciada em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Informais
Os dados do IBGE mostram também que a economia continua oferecendo mais empregos informais do que vagas com carteira assinada. No setor privado, o total de vagas formais caiu a 33,126 milhões de postos, o montante mais baixo na série histórica iniciada em 2012.

Já o emprego sem carteira, no setor privado, teve aumento de 5% em um ano, com 511 mil empregados a mais. No mesmo período, o total de empregadores cresceu 5,5% (225 mil pessoas) e o trabalho por conta própria aumentou 4,4% (977 mil postos gerados). O setor público gerou 359 mil vagas, um avanço de 3,3% na ocupação.

Estudo do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) chama atenção para a disparidade entre a velocidade com que foram destruídos os empregos na crise e a relativa lentidão do restabelecimento. ;A crise veio avassaladora, mas se dissipa a passos de tartaruga;, apontou o Iedi.

Reforma trabalhista fica sem ajuste

Os ajustes prometidos pelo presidente Michel Temer na reforma trabalhista não deverão sair do papel. Isso porque a medida provisória editada no ano passado para modificar pontos da reforma que enfrentavam mais resistência ; como a permissão para que grávidas trabalhem em ambientes de insalubridade média ; vai expirar na próxima terça-feira, sem ter sido votada pelo Congresso. A MP foi resultado de um acordo com senadores para evitar que o projeto de lei aprovado pela Câmara sofresse mudanças e atrasasse a vigência das novas regras trabalhistas. Mas a comissão mista que deveria analisar a MP nem sequer foi instalada pelo Legislativo.

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