Saques do FGTS foram usados em imóveis

Saques do FGTS foram usados em imóveis

postado em 30/03/2018 00:00

De acordo com estudo do Banco Central, apresentado no Relatório Trimestral de Inflação (RFI), a liberação das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), em 2017, atingiu o objetivo. Ao anunciar a medida, o governo pretendia fazer com que os pagamentos se tornassem consumo, o que foi verificado na pesquisa do BC. A maior parte do dinheiro retirado do fundo foi destinada para a compra de imóveis e para a redução de endividamento. A autarquia conseguiu mapear a utilização de R$ 13,05 bilhões dos R$ 44,3 bilhões que foram liberados, o que corresponde a 30% do total.

Do que foi possível analisar, a maior parte ; cerca de 40,5% ; foi destinada à aquisição de imóveis. Outros 38,4% foram utilizados para reduzir dívidas. Além disso, 14% serviram para aumento de gastos por meio de cartões de crédito, 4,5% para a compra de veículos e 2,6% para sair da inadimplência.

Mesmo sem mapear o destino dos R$ 31,2 bilhões restantes, o BC avalia que R$ 15 bilhões podem ter sido usados para financiar gastos por outros meios, como compras em dinheiro, cartões de débito, boletos e transferências bancárias, além de investimentos em ativos financeiros. O BC acredita que os R$ 16,1 bilhões que sobram, referente às pessoas que não têm cartão de crédito ou crédito junto a bancos, foram usados para o consumo, ;devido à provável maior propensão marginal a consumir destes indivíduos;.

A liberação do FGTS foi decidida pelo governo para estimular a economia. Cerca de 26 milhões de cotistas foram beneficiados. O valor médio dos saques foi de R$ 1,7 mil. ;A liberação dos recursos das contas inativas do FGTS contribuiu para impulsionar consumo de bens duráveis e não duráveis e reduzir o endividamento dos indivíduos beneficiados pela medida;, pontuou o BC.

Novas pendências
Segundo a autarquia, a maior queda no endividamento ocorreu durante os meses em que os recursos foram liberados para saque. Em contrapartida, o estudo verificou que novas pendências financeiras foram criadas nos meses seguintes do pagamento do FGTS ; ;indicando possível uso dos recursos como entrada para novos financiamentos de bens duráveis, como imóveis e veículos;, destacou o relatório do BC.

No geral, porém, a instituição estima uma queda de cerca de R$ 5 bilhões das dívidas, quando os financiamentos de veículos e imóveis são excluídos dos cálculos. As despesas das famílias tiveram um impacto positivo de R$ 7,7 bilhões, de acordo com o relatório. ;Aliados à queda da inflação e à melhoria do mercado de trabalho, com consequente aumento da renda real, à queda dos juros e ao aumento da confiança, esses estímulos contribuíram para a retomada da economia brasileira;, completou o relatório.

De acordo com analistas, os recursos do FGTS ajudaram o Produto Interno Bruto (PIB) a crescer 1% em 2017, revertendo dois anos consecutivos de queda na atividade econômica. Para 2018, o Banco Central prevê que o consumo das famílias continue em expansão, crescendo 3%, ;em linha com a expectativa de evolução favorável da massa salarial ampliada e do crédito à pessoa física;.

;O consumo das famílias, importante vetor de recuperação da economia em 2017, deve manter dinamismo similar no ano corrente. Concorrem nesse sentido as perspectivas de inflação em patamar baixo, de recuperação do emprego e de expansão do crédito às famílias em ambiente de política monetária estimulativa;, afirmou o BC. (HF)

Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação