Visão do Correio

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postado em 30/03/2018 00:00


Educação
e emprego


O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística atualizou ontem os números do desemprego no Brasil. De acordo com os dados da instituição, o índice chegou a 12,6% no trimestre encerrado em fevereiro, o que significa dizer que 13,1 milhões de brasileiros estão desempregados. Os dados foram coletados por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad Contínua) e mostram alta em relação ao trimestre encerrado em janeiro, quando o índice ficou em 12,2%.

Comparado ao mesmo período do ano anterior (13,2%), a cifra é boa notícia, mas encarar a estatística apenas por esse ângulo esconderia a gigantesca frustração de nova alta da desocupação em plena recuperação econômica. A alta, embora tratada pelo IBGE como sazonal, requer, sim, olhares atentos e revela muito sobre a fragilidade da recuperação, sobretudo em ano eleitoral.

Diante das incertezas que envolvem as sucessões presidencial e nos estados, qualquer reação dos meios produtivos encara, de fato, oscilações. Empresários e investidores tendem, obviamente, a conter os arroubos diante de um cenário ainda turvo e isso certamente amplia a cautela. O problema, entretanto, é que a crise já se alongou para além da capacidade das famílias de se manter, o que faz com que a necessária retomada seja cada vez mais urgente.

Por seu lado, a extensão temporal da crise provavelmente fará com que, na retomada, os postos de trabalho mudem de lugar, exigindo novas habilidades ; o que é, aliás, tendência ainda mais veloz em tempos de maior atividade econômica. A mudança nos processos produtivos redesenha a necessidade de mão de obra nas empresas, e o trabalhador que perdeu a vaga não tem condições de se qualificar para os novos postos.

Internamente, as empresas podem optar por treinar e manter os profissionais, mas a oferta de qualificação para quem busca trabalho ainda é escassa para quem não dispõe de recursos financeiros. Para quem pode pagar, o desafio é encontrar cursos e instituições que realmente acrescentem habilidades à sua performance e credibilidade ao seu currículo, ou seja, programas que valham o investimento do trabalhador.

Retomar o crescimento da atividade econômica é fundamental, mas a educação para o trabalho também é crucial para a queda dos índices de desemprego. O investimento em programas gratuitos de treinamento e qualificação, tanto por parte dos governos quanto das instituições empresariais, é fundamental para garantir a reinserção no mercado dos trabalhadores dispensados durante a crise. Os processos mudam e o trabalhador precisa mudar também. Participar da mudança é, de fato, investir no futuro.





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