ARI CUNHA

ARI CUNHA

Desde 1960 Visto, lido e ouvido aricunha@dabr.com.br com Circe Cunha / circecunha.df@dabr.com.br

postado em 30/03/2018 00:00




Primeira parte da história


Com a instalação da chamada Loja da Corrupção no aeroporto de Brasília, iniciativa da empresa norte-americana Netflix para divulgar a série O mecanismo, inspirada na Operação Lava-Jato, o que os brasileiros estão tendo a oportunidade de aprender também é que, quanto maior o escândalo, maior o lucro para os que sabem explorar e transformar as misérias humanas em busines.

O problema com ficções, ainda por cima apresentadas em capítulos, é que a crueza do realismo fantástico vivido pela nação desde 2005 supera, a cada momento, todo e qualquer conto de imaginação, mesmo os mais inspirados e surrealistas. O fato é que, desde que vieram ao conhecimento do público, os escândalos do mensalão e do petrolão não geram altos lucros apenas para os grandes escritórios de advocacia do país, mas têm servido, desde então, como fonte de altos lucros para escritores, jornalistas, cineastas, roteiristas, compositores, historiadores e outros profissionais que encontraram nesses acontecimentos de nossa história atual uma mina valiosa e inspiradora a céu aberto.

Pelo volume de revelações que têm vindo à luz e pelo que está por vir, há farto material para o desenvolvimento de um oceano de enredos. Obviamente que, nesse ciclo de ouro, repleto de histórias e de personagens típicos, que vem gerando ocasiões vantajosas para muitos, o outro lado da balança pende negativamente para a população, que teve de arcar com prejuízos fabulosos que levarão anos para serem quitados. Para os brasileiros que no futuro desejarem conhecer um pouco mais sobre esse período turbulento, restará boa quantidade de livros e filmes, que poderão ser obtidos mediante pagamento.

A loja da corrupção, instalada na sala de entrada da capital, muito mais do que estratégia de marketing, expõe, de modo simbólico, um tempo e uma cidade marcados pela atuação da mais ampla e nefasta organização criminosa que já atuou no país. É preciso, no entanto, que, uma vez superada essa fase, logicamente com a condenação dos implicados, seja instalado, no mesmo espaço privilegiado, um estande que mostre, de forma didática, como os brasileiros de bem, com apoio da população, conseguiram desmantelar esses grupos e suas ramificações dentro do Estado. Isso é, se toda a história tiver um fim de acordo com o desejo da população.




A frase que foi pronunciada:

;Aquilo a que chamamos história é um esforço feito em favor dos outros, pago muito caro com o sofrimento dos homens.;
Georges Mangakis



Mais essa
Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UnB pede para que não alimentem os gatos e pombos da redondeza. Na verdade, as pulgas já estão alojadas no departamento.

Chega
É momento de parar. Em apenas dois anos, o cerrado perdeu o equivalente a três vezes a área do DF. Estamos em quarto lugar no ranking de áreas relativas devastadas, segundo dados do Ministério do Meio Ambiente.

Leitora
Cena chocante no Eixão Norte. O motorista deu um murro no rosto da mulher que estava ao lado. Parecia uma briga de casal. No susto, a única ação foi gritar pela janela para denunciar o canalha. O fato foi vivenciado por uma leitora.

Arte

Mundo das artes paga o preço da ânsia de arrecadação. Tarifas de importação começam a afetar exposições, feiras, balés e orquestras que queiram se apresentar no Brasil.

Mal moderno

Morte Inventada. Um documentário chocante sobre alienação parental, problema que exige capacitação do corpo jurídico que ultrapassa, e muito, as letras da lei.

Associados

Museu de Brasília e Arquivo Público estão com tudo pronto para uma exposição das charges da década de 1960 sobre a mudança da capital. Jomar Nickerson de Almeida, superintendente do Arquivo Público do DF, aguarda apenas a autorização autoral pelos Diários Associados.


História de Brasília

O caso do IAPFESP é flagrante. Há construções, no canteiro de obras, feitas de alvenaria há muito tempo, e a culpa é da Delegacia do Instituto que não teve a autoridade suficiente, ou fez vista larga para essa infração.(Publicado em 18.10.1961)





Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação