Sarkozy no banco dos réus

Sarkozy no banco dos réus

Justiça francesa decide julgar o ex-presidente direitista pela acusação de tentar subornar um juiz em troca de informações privilegiadas sobre um processo de qual era acusado

postado em 30/03/2018 00:00
 (foto: Martin Bureau/AFP - 25/3/18
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(foto: Martin Bureau/AFP - 25/3/18 )

A Justiça da França levará a julgamento o ex-presidente Nicolas Sarkozy por ter tentado corromper um juiz, em 2014, para obter informações sigilosas sobre um caso de financiamento ilegal de campanha no qual figurava como acusado. Uma fonte judicial citada pela agência de notícias France-Presse indicou que Sarkozy e o advogado Thierry Herzog responderão pela tentativa de extrair dados sobre o processo com o juiz responsável, Gilbert Azibert, hoje aposentado, com a oferta de um cargo.

O caso original de financiamento partidário ilegal remonta à campanha eleitoral de 2007, quando Sarkozy foi eleito presidente. Na ocasião, ele teria recebido contribuições irregulares de Liliane Bettencourt, herdeira do império de cosméticos L;Oréal. Em 2013, já como ex-presidente, o político direitista foi absolvido da acusação de ter manipulado Bettencourt, de idade avançada. Escutas telefônicas feitas à época pela Justiça, no entanto, sugerem que Sarkozy tenha conversado com o advogado, Thierry Herzog, sobre a possibilidade de propor um cargo para Azibert em troca de informações.

O ex-presidente alega, em sua defesa, que o juiz nunca foi nomeado para o cargo mencionado ; e, por essa razão, ele próprio não seria culpado. No entanto, os investigadores acreditam que, se o acordo fracassou, foi porque o Sarkozy e seu advogado perceberam que seus telefones estavam grampeados.

Esse caso se soma aos problemas judiciais do ex-presidente francês, que em 2016 fracassou na tentativa de retornar à política e perdeu as primárias em que sua legenda direitista escolheu o candidato à presidência. Na semana passada, Sarkozy foi intimado a depor sobre a denúncia de que teria recebido 1 milhão de euros do então ditador líbio, Muammar Khaddafi, para financiar a campanha presidencial vitoriosa de 2007.

O advogado do ex-presidente anunciou que vai recorrer das medidas judiciais impostas a seu cliente, indiciado na última quarta-feira na investigação sobre o suposto financiamento líbio da campanha de 2007. Thierry Herzog afirmou que as medidas impostas proíbem Sarkozy de reunir-se com outras pessoas investigadas, incluindo dois ex-ministros muito próximos a ele durante sua presidência (2007-2012), e impedem viagens a Líbia, Egito, Tunísia e África do Sul. As restrições, previstas na Constituição de 1958, jamais tinham sido impostas a um ex-presidente francês.

;Há um duplo grau de jurisdição na França. Temos o direito de recorrer. Apelarei contra esse controle judicial e veremos o que diz a câmara de instrução de Paris;, declarou o defensor de Sarkozy. Na última quarta-feira, depois de 24 horas de detenção preventiva para interrogatório, o ex-presidente foi indiciado por ;corrupção passiva, financiamento ilícito de campanha eleitoral e acobertamento de fundos públicos líbios;. Ele nega todas as acusações. O indiciamento é o capítulo mais recente do caso, investigado pela justiça há quase cinco anos.

De acordo com o advogado, a convocação de Sarkozy para a detenção preventiva foi ;a crônica de um indiciamento que já estava anunciado;. Herzog lembrou que o cliente já tinha sido indiciado pelo caso do suposto financiamento ilícito de campanha pela proprietária da L;Oréal, Liliane Bettencourt, antes de um arquivamento. ;Acontecerá o mesmo desta vez;, disse. Segundo seu defensor, o ex-presidente respondeu às mais de 200 perguntas feitas durante a detenção preventiva. Na quinta-feira, depois de ser indiciado, Sarkozy reagiu e prometeu ;fazer triunfar a minha honra;.

Eleito presidente aos 52 anos, depois de uma carreira bem-sucedida nas fileiras da direita francesa, o filho de imigrantes húngaros viu-se envolvido em vários processos judiciais, principalmente em torno do financiamento de campanhas em 2007 e 2012, quando foi derrotado pelo socialista François Hol-lande. Tentou o retorno em 2017, mas perdeu a candidatura presidencial do partido para o ex-protegido François Fillon.


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