Presidente é reeleito com 92% dos votos

Presidente é reeleito com 92% dos votos

postado em 30/03/2018 00:00
 (foto: AFP
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(foto: AFP )
O presidente do Egito, Abdel Fattah Al-Sisi, foi reeleito com mais de 92% dos votos, conforme as primeiras estimativas da imprensa estatal, mas um índice de abstenção de 60% traduziu em números os questionamentos sobre a legitimidade do pleito. Em uma eleição boicotada pela oposição, Al-Sisi venceu o único concorrente, o aliado Moussa Mostafa Moussa, presidente do pequeno partido Ghad, que registrou a candidatura quase no fim do prazo, após a prisão de vários adversários do regime.

Perto de 23 milhões de eleitores de um total de 60 milhões registrados, compareceram às urnas para votar de segunda-feira a quarta-feira, informaram os jornais Al-Ahram e Akhbar al-Yaum, assim como a agência oficial Mena.

Os três dias de votação foram definidos justamente para atrair um número significativo de eleitores às urnas. Porém, além da elevada abstenção, 2 milhões de participantes anularam o voto, inserindo nas cédulas eleitorais nomes de candidatos que não estavam na disputa.

Moussa, um empresário de 65 anos, desconhecido da população em geral e simpatizante do presidente, obteve apenas 3% dos votos, de acordo com as estimativas do Al-Ahram. Na quarta-feira à noite, ele admitiu a derrota, após a divulgação dos primeiros resultados parciais.

O empresário, líder do minúsculo partido liberal Al-Ghad, entrou oficialmente na disputa um pouco antes do fim do prazo para a apresentação de candidaturas, evitando, assim, uma eleição com apenas um postulante.

Al-Sissi, que foi chefe das Forças Armadas sob o regime de Hosni Mubarak, que governou o país por três décadas, liderou o golpe de Estado que destituiu o primeiro presidente democraticamente eleito na história milenar do país, o líder islâmico Mohamed Morsi. Beneficiário da queda de Mubarak, em meio às manifestações populares da Primavera Árabe, em 2011, Morsi enfrentou protestos contra a tentativa de islamizar o país, em 2013, e cumpre pena de prisão perpétua.

Al-Sisi foi eleito presidente pela primeira vez em 2014, com 96,9% dos votos, em um processo igualmente questionado e boicotado pelos opositores. Neste ano, a taxa de participação ficou próxima a 40%, segundo a imprensa, apesar dos apelos do primeiro-ministro Sherif Ismail. Em 2014, o índice chegou a 37%, em dois dias de votação, e alcançou 47,5% após a prorrogação por mais um dia.

No Egito, os eleitores sem uma justificativa considerada válida para não votar devem pagar uma multa de 500 libras egípcias (22 euros), advertiu a Comissão Eleitoral. Em entrevista coletiva, um dos diretores do organismo, Mahmud al-Sherif, disse que não foram registradas irregularidades durante a votação.

A partir da derrubada de Morsi, o Egito mergulhou em um dos períodos mais autoritários de sua história. Centenas de membros da Irmandade Muçulmana, que apoiou a candidatura de Morsi, foram mortos ou presos. A repressão atingiu posteriormente também os opositores liberais e de esquerda.


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