UnB só consegue pagar contas até maio

UnB só consegue pagar contas até maio

ANA PAULA LISBOA MARÍLIA LIMA*

postado em 30/03/2018 00:00
 (foto: Fotos: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press
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(foto: Fotos: Marília Lima/Esp. CB/D.A Press )

Começou sob gritos de protesto a apresentação pública organizada pela Reitoria da Universidade de Brasília (UnB) sobre o deficit orçamentário estimado em R$ 92,3 milhões. Estudantes presentes ao encontro, ontem, reclamavam da possibilidade de cortes nos contratos de terceirizados e de estagiários. A instituição estima que seja necessária redução de R$ 39,8 milhões nos gastos para as contas saírem do vermelho.

A reitora, Márcia Abrahão Moura, rebateu as críticas, afirmando também ser contra as demissões. Ela reforçou, no entanto, que os problemas financeiros tornam alguns cortes inevitáveis. Muitos estudantes propuseram, em coro, entrar em greve geral. A apresentação da decana de Planejamento e Orçamento e Avaliação Institucional, Denise Imbroisi, mostrou que, se continuar nesse ritmo, a UnB só conseguirá pagar todas as contas até maio e entrará junho no vermelho, mesmo com redução de despesas. ;Quando chegar junho, não teremos condições de arcar com água, luz, energia, funcionários, nem nada. No momento atual, o que temos é um recurso escasso para despesas que são muito grandes;, disse a decana.

Mauricio Sabino de Araújo Rocha, representante do Sindicato das Trabalhadoras e Trabalhadores da Fundação Universidade de Brasília (Sintfub), fez um apelo para que a gestão procure maneiras de economizar sem desligar funcionários terceirizados. ;É preciso criar uma mesa de negociação e suspender qualquer processo de demissão;, defendeu.

O porteiro Francisco Targino foi demitido quatro vezes. Em três ocasiões, conseguiu voltar ao seu posto por meio de medidas judiciais. Agora, integra a parcela dos últimos demitidos e está indignado. ;Os terceirizados ajudaram na construção da universidade, trabalham demais. Muitos passam anos sem tirar férias por conta das empresas que gerenciam os contratos;, relatou.

A reitora defendeu que a gestão tem buscado formas de aumentar as verbas e de economizar antes de fazer cortes. ;Nossa principal atuação é no sentido de fazer crescer a receita ; estamos trabalhando para reocupar todos os imóveis e garagens que geram aluguel. Também buscamos reduzir contas de água e de luz. Todo o mato cortado aqui vira adubo;, enumerou.



Estagiários

A apresentação pública sobre o orçamento, aberta à comunidade, ocorreu no auditório verde da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Gestão de Políticas Públicas (Face). A decana Denise Imbroisi comentou também a questão dos contratos de estágio, que devem passar a ser geridos em cada unidade, e não mais pela administração central da universidade. ;Há um recurso que a universidade passa para cada unidade acadêmica, que poderá manter seus estagiários, desde que tenha condição e disponibilidade orçamentária para isso;, explicou. ;A UnB também garante a manutenção integral do subsídio para custear bolsas de estudantes em situação de vulnerabilidade.;

A reitora Márcia Abrahão Moura culpou a criação de um teto orçamentário, a partir da Emenda Constitucional n; 95, de 2016, por agravar a situação. ;A emenda do teto fez com que o bolo de recursos permanecesse o mesmo para as despesas discricionárias, mas nós ainda estamos sob efeito da expansão. Mesmo assim, nada disso é levado em consideração na hora de receber recursos do governo federal;, queixou-se. Obras inacabadas e outras que ainda precisam ser construídas nos diversos câmpus são alguns dos efeitos da falta de verba.

* Estagiária sob supervisão de Ana Paula Lisboa


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