360 graus

360 graus

postado em 30/03/2018 00:00
 (foto: Frederico Viotti Ribeiro/Divulgação)
(foto: Frederico Viotti Ribeiro/Divulgação)

A tataraneta do presidente

a menina Mercedes Maria Guilhermina de Urquiza Anchorena de Maschwitz nasceu em Buenos Aires, filha de uma árvore genealógica recheada de parentes ilustres. É tataraneta do General Urquiza, ex-presidente da Argentina. De família tradicional, é a caçula de três irmãos. Fruto de uma época em que as meninas daquele meio social eram educadas para tocar piano, estudar balé e idiomas, Mercedes não chegou a cursar uma faculdade.

;Fiz tudo isso que as meninas de família faziam e ainda conquistei o diploma de Cambridge pelo estudo da língua inglesa durante mais de 10 anos; conta. Aos 18 anos, a jovem sonhadora teve tempo de estudar bastante e trabalhar como atendente na filial argentina da extinta empresa aérea Panair do Brasil.

E deu vontade de sair voando, mas com as próprias pernas. Por causa de um recorte de jornal enviado por um amigo que morava em São Paulo, ;noticiando que o Brasil iria construir uma nova capital num lugar deserto. A decisão foi fulminante como um raio!”, garante.

O jornal foi o estopim, que fez explodir dentro da menina aventureira que, ainda por cima tinha um namorado, que parecia ter nascido para ela: destemido e tão aventureiro quanto. ;Ele era Hugo Maschwitz, e compartilhou comigo o entusiasmo e a decisão de fazer essa viagem para o meio do nada. Ninguém autorizou, nem concordou com essa decisão, muito pelo contrário. A vinda para Brasília foi devido ao forte desejo de iniciar uma nova vida, forjada por minhas próprias mãos, misturada à antiga paixão pelo Brasil. Tudo somado a um espírito de aventura que faz parte da minha personalidade; explica.

Um sonho

;O dia da partida foi 1; de outubro de 1957, viajando num jipe da marca Land Rover, que Hugo ganhou de um tio. Levamos alguns pertences mais um cachorro, da raça pastor alemão, chamado Fleck. Largamos tudo em busca do sonho de participar da construção da nova capital do Brasil. A viagem até Brasília levou 48 dias. Dormíamos e comíamos pelas estradas, se é que podemos chamar assim. Em muitos locais eram apenas caminhos de terra e teve até momentos em que tivemos que abrir nosso caminho em picadas selvagens;, relata Mercedes. ;A nossa primeira moradia foi um barraco de madeira sem luz, sem água quente e sem telefone, na Cidade Livre, hoje Núcleo Bandeirante;, completa.

Um livro

Depois desta pequena mostra da saga de um casal jovem que, apesar de estrangeiro, ficou apaixonado por Brasília, quando a cidade ainda era só um sonho transformado em muita poeira e trabalho, ;a ideia de escrever o livro estava latente há vários anos. Mas, a partir de 2015, comecei a rabiscar memórias, relembrar fatos, nomes e datas, e fazer muitas pesquisas. Isso me incentivou a continuar escrevendo minhas memórias. Finalmente, em julho de 2017, finalizei o livro ricamente ilustrado com fotografias inéditas da época. A Editora Senac abraçou a ideia de publicá-lo e fez um trabalho belíssimo que representa para mim a realização de um sonho. Trata-se de uma autobiografia, e também um misto de romance e aventura, narrado na primeira pessoa e contando apenas fatos verídicos;, completa.

Uma coincidência

;Um detalhe bastante mágico é que o dia da nossa partida de Buenos Aires foi a data em que JK assinou o decreto determinando a inauguração de Brasília em 21 de abril de 1960! Essa e outras coincidências do tipo estão sendo reveladas em meu livro; informa a pioneira. O lançamento do livro será em 11 de abril, no Salão Negro do Ministério da Justiça.


1957
Ano que Mercedes Urquiza partiu de Buenos Aires com destino a Brasília em construção


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