A UnB é nossa, é de Brasília, é do povo

A UnB é nossa, é de Brasília, é do povo

MARIA FÁTIMA DE SOUSA Diretora do Departamento de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB)
postado em 05/04/2018 00:00


Também sou filha da Universidade de Brasília. Lá vivi momentos muito desafiadores e felizes, quando cursei meu doutorado, fui pesquisadora e logo mais me tornei uma de suas docentes e gestora, à frente da direção da Faculdade de Ciências da Saúde. Desde as minhas origens no movimento estudantil, ainda na Universidade Federal da Paraíba, onde me graduei, luto para que a universidade seja pública, gratuita, de qualidade e inclusiva. Essa é a UnB que tanto sonhamos.

A UnB de Honestino Guimarães e de Maninha, que, juntos, enfrentaram os tempos de chumbo. A mesma que ocupa o ranking da Times Higher Education (THE) entre as mil melhores instituições de ensino superior do mundo em 2017. Na América Latina, encontra-se entre as oito melhores, ficando em 18; colocação no ranking geral da QS University Rankings: América Latina, divulgado pelo Correio Braziliense em outubro do ano passado.
Enquanto se destaca por sua excelência, conquistada com o esforço dos seus docentes e discentes, pesquisadores e técnicos administrativos ao longo de seus quase 56 anos, a mesma UnB também enfrenta uma de suas piores crises, inclusive, com promessas de parar de funcionar em agosto, segundo informes apresentados em reunião pública, ocorrida na última quinta-feira, 29 de março.

Em especial, pela séria ameaça da ;redução do quadro de terceirizados, estagiários; e, mais grave, pelo ;corte do subsídio aos estudantes que necessitam do Restaurante Universitário;, isso sem falar nas demissões realizadas e noticiadas pela imprensa local. Não podemos repassar o ônus para os mais pobres, sejam terceirizados,sejam estagiários. Não devemos achar que estamos derrotados.

Antes de cortar e jogar na rua pais e mães de família, vamos juntar toda a comunidade e vamos aos órgãos competentes rumo à resolução da situação (Ministérios da Educação e do Planejamento, Orçamento e Gestão), se necessário for, vamos à Presidência da República, para estabelecer um diálogo institucional e republicano.

A atual magnífica reitora, eleita sob a bandeira do diálogo e do fortalecimento da instituição, deve liderar esta luta para tirar a UnB do abismo. Devemos levantar de nossas cadeiras e levar para a Esplanada dos Ministérios uma mostra do que fazemos e de nossa relevância sociopolítica, científica, cultural e tecnológica, honrando as ideias de Darcy Ribeiro e Anísio Teixeira, que lhe deram origem: pensar o Brasil e contribuir para o desenvolvimento sustentável do país, e para a elevação da dignidade humana.

Precisamos reunir nossos ex-reitores, ex-estudantes que hoje ascendem em cargos de poder decisório nos cenários nacional e local, bem como a bancada dos parlamentares do Distrito Federal, a fim de que possamos encontrar alternativas à grave situação de crise para a qual está sendo levada a UnB.

Precisamos mostrar à sociedade que os cortes afetam diretamente a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão. Afinal, a UnB sempre se manteve em pé, apesar dos severos tempos de crise que enfrentara outrora. Se temos uma chance, pequena que seja, de conquistar a opinião pública, influenciar o congresso, pressionar o governo federal, vamos atrás dessa chance. Nesse sentido, coloco-me a disposição e, mais, conclamo a população de Brasília para nos juntarmos nessa onda de apoio a nossa Universidade. A UnB não pode morrer, pois ela é um patrimônio de Brasília e do Brasil.




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