Putin pede bom senso no caso do espião

Putin pede bom senso no caso do espião

postado em 05/04/2018 00:00
 (foto: Yuri Senatorov/AFP)
(foto: Yuri Senatorov/AFP)


No primeiro comentário público sobre a crise diplomática com o Ocidente em torno de um ex-espião russo envenenado no Reino Unido, o presidente Vladimir Putin disse esperar ;que o bom senso prevaleça; nas relações entre Moscou e o Ocidente. O governo britânico acusa o Kremlin pelo atentado com um agente químico de uso militar contra Sergei Skripal, radicado no país há oito anos, e iniciou uma escalada de expulsões reciprocas de diplomatas ; no total, cerca de 150 representantes da Rússia receberam ordem de deixar postos em 27 países, contra os quais Moscou adotou medidas simétricas. Ontem, porém, Putin sofreu uma derrota na tentativa de obter da Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq) o aval para que seu governo participe das investigações sobre o caso.

;Infelizmente, não conseguimos obter dois terços dos votos para apoiar essa decisão. Precisávamos de maioria qualificada;, lamentou o embaixador russo perante a Opaq, Alexander Shulgin. ;Nossa proposta era realizarmos uma investigação conjunta com o Reino Unido, com o diretor da organização como mediador.; Putin, que falou à imprensa durante visita ao Cazaquistão, esperava que os representantes dos 41 países-membros, reunidos na Holanda, pudessem ;colocar um ponto final; naquilo que define como ;uma campanha contra a Rússia;. O governo britânico havia classificado o pedido de Moscou como ;perverso;.

Antes da reunião, o porta-voz de Putin, Dmitri Peskov, tinha cobrado ;desculpas; do Reino Unido pela acusação ;infundada; de envolvimento do Kremlin no envenenamento de Skripal e da filha, Yulia, que vive na Rússia e visitava o pai. Os dois estão hospitalizados desde 4 de março, mas ela se recupera e os médicos não consideram mais seu estado como crítico. Investigadores britânicos alegaram ter identificado o agente neurotóxico utilizado como pertencente a um grupo de substâncias conhecido como Novichok, desenvolvido pelos militares russos. Na terça-feira, porém, o laboratório militar de Porton Down admitiu que ;não foi possível determinar; a origem das amostras examinadas, embora o chefe da equipe, Gary Aitkenhead, tenha afirmado que ;apenas um ator estatal teria a capacidade para produzir; o agente tóxico.

Sergei Skripal, ex-coronel da inteligência militar russa, foi identificado como agente duplo a serviço do Reino Unido e condenado por ;alta traição;, mas deixou a prisão em 2010, como parte de uma troca de espiões entre Londres e Moscou. Desde então, passou a viver com asilo britânico. No início da semana, o chanceler russo, Sergei Lavrov, sugeriu que o envenenamento do ex-espião ;poderia ser do interesse; de Londres, para ;desviar a atenção do Brexit; ; o processo de desligamento do país da União Europeia, objeto de intensas negociações entre a primeira-ministra Theresa May e os dirigentes do bloco.

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