Resistência e talento!

Resistência e talento!

Apesar do recente retorno da China, em viagem de 48 horas, o brasiliense Bruno Schmidt e o capixaba Alison vencem nas rodadas iniciais do SuperPraia e seguem firme na busca pelo pentacampeonato

Maria Eduarda Cardim Especial para o Correio
postado em 28/04/2018 00:00
 (foto: Ed Alves/CB/D.A. Press
)
(foto: Ed Alves/CB/D.A. Press )



O cansaço das 48 horas de viagem e a mudança de fuso horário não atrapalharam a estreia do brasiliense Bruno Schmidt e do capixaba Alison no SuperPraia, torneio que ocorre até amanhã em arena montada no estacionamento do Estádio Mané Garrincha. Os campeões olímpicos chegaram da China na última terça-feira e estavam em quadra na manhã de ontem para brigar pela primeira vitória na competição, na qual são tetracampeões (venceram todas as edições). Na primeira rodada, Bruno e Alison bateram Marcus e Vinícius, do Rio de Janeiro, por 2 sets a 0 (21/19, 21/18).

Mesmo sem muitos torcedores nas arquibancadas no jogo inicial, Bruno afirma que a sensação de jogar em casa é diferente. ;Não tem nada mais prazeroso para um atleta do que ter na torcida amigos que viram o início da carreira;, afirma. Alison, apesar de ser capixaba, também exalta a atmosfera singular da cidade. ;Eu gosto de jogar em Brasília. Acho a energia totalmente diferente, porque o Bruno é daqui. Então também sinto esse calor humano;, comenta.

A energia diferenciada ajudou na vitória, que, apesar de tranquila, começou com um set equilibrado. Os campeões olímpicos saíram atrás no placar, mas se recuperaram e fecharam a parcial por 21 a 19. O segundo set pareceu mais fácil. Sempre à frente na pontuação, Alison e Bruno confirmaram o triunfo sobre a dupla carioca ao marcar 21 a 18. ;Fizemos um jogo difícil, mas com consciência e maturidade;, avalia Alison. Na segunda rodada, os campeões olímpicos bateram Eduardo Davi (PR) e Ricardo (BA) por 2 sets a 0 (21/18, 21/13).

A dupla voltou esta semana da China com a primeira medalha da parceria na atual temporada do Circuito Mundial: um bronze. O capixaba afirma que a conquista representa mais do que aparenta. ;Foi um bronze com gosto de ouro. Tivemos de nos superar após uma viagem de 48 horas, com cinco voos para chegar até lá;, afirma.

Os efeitos das viagens frequentes são sentidos pelos jogadores. ;Na madrugada passada, eu acordei às 5h da manhã achando que estava na hora do jogo;, conta Alison. O companheiro brasiliense explica que tenta segurar o sono para dormir no horário correto e também aumenta a ingestão de cafeína. ;É muito árduo, porque não conseguimos descansar nas viagens. Não tem como em menos de uma semana você se acostumar com 11 horas de diferença de fuso horário;, explica Bruno.

Caso chegue à final do SuperPraia, amanhã, a dupla viaja no mesmo dia para os Estados Unidos. A próxima competição é o Aberto de Huntington Beach, na Califórnia, que começa na semana que vem. O torneio é uma das etapas quatro estrelas do Circuito Mundial. Até agora a parceria participou de duas etapas, uma nos Estados Unidos e outra na China.

As viagens são frequentes e necessárias, já que a principal competição deste ano é o Circuito Mundial, que é dividido em etapas. O Campeonato Mundial da modalidade será disputado em 2019. ;É uma particularidade do vôlei de praia que temos de aguentar e tentar nos recuperar o mais rapidamente possível a cada competição;, avalia Bruno.

Supremacia
A dupla participa pela quinta vez do torneio e busca o pentacampeonato do SuperPraia. A competição encerra a temporada nacional e reúne as 16 melhores duplas do vôlei de praia do Brasil de cada categoria. O torneio não soma pontos no ranking, mas os campeões saem de quadra com o prêmio de R$ 50 mil.

O Circuito Brasileiro não começou bem para a dupla. Depois de jogar a primeira etapa, em Campo Grande (MS), Alison lesionou o joelho e chegou a desfalcar a parceria em duas etapas, a segunda e a terceira. No entanto, recuperou-se, e em janeiro voltou a atuar com Bruno na quarta etapa, em Fortaleza, na qual foram campeões.



SuperPraia

Quando: hoje e amanhã
Onde: estacionamento do Mané Garrincha
Entrada: gratuita, por ordem de chegada



;Não tem nada mais prazeroso para um atleta do que ter na torcida amigos que viram o início da carreira;

Bruno Schmidt, jogador de vôlei de praia


Rumo a Tóquio-2020
O objetivo final para os próximos anos é garantir presença nos Jogos Olímpicos de Tóquio-2020. No entanto, Bruno ressalta que o caminho é longo e prefere se concentrar em uma competição por vez. ;O calendário do vôlei de praia é extenso e exige muito do atleta. Não adianta ficar com a cabeça em várias coisas;, afirma. A dupla está em quarto lugar no ranking nacional e em quinto no mundial. ;Outros times vivem melhores momentos, mas sabemos o caminho que precisamos percorrer para estar em Tóquio;, comenta Alison, que tem duas Olimpíadas no currículo.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação