Estudantes resistem à pressão

Estudantes resistem à pressão

Reunião com gestores da Universidade de Brasília dura quatro horas, mas não determina o fim da ocupação da reitoria. Além dos administradores da instituição, professores se posicionam contra a forma de protesto dos alunos

» BRUNA LIMA » WALDER GALVÃO Especiais para o Correio
postado em 28/04/2018 00:00
 (foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)
(foto: Minervino Junior/CB/D.A Press)

A ocupação da reitoria da Universidade de Brasília (UnB) continua. Após quatro horas de reunião com representantes da direção da instituição de ensino superior, realizada na área externa do prédio, os manifestantes decidiram permanecer no local ocupado desde 12 de abril. Apesar de não ter sido o resultado desejado pelos administradores, a conversa foi avaliada como positiva. ;A forma de luta, nós, como administradores, não concordamos, mas não colocamos em dúvida os objetivos dos estudantes de defender os princípios de universidade. Estabelecemos uma mesa permanente de negociação, em um processo de esforço concentrado para viabilizar a desocupação;, afirmou o chefe de gabinete da reitoria, Paulo César Marques.

Além de Paulo César, participaram do encontro ; iniciado às 16h e concluído às 20h ; a decana do Departamento de Extensão, Olgamir Amancia Ferreira, e a assessora da reitora, Mônica Nogueira. Uma nova reunião de negociações está marcada para hoje, às 14h. O chefe de gabinete não adiantou quais temas serão negociados, mas garantiu: ;Não existem pontos novos na pauta.; Os alunos reivindicam a não diminuição do orçamento da UnB, além de se posicionarem contra o corte de terceirizados e estagiários.

Pela manhã, as divergências entre professores e ocupantes indicavam o desfecho de horas depois. Parte do corpo docente da instituição fez um ato em apoio à reitoria, onde apresentou um manifesto criticando a gestão orçamentária do Ministério da Educação (MEC) e pediu a saída dos alunos do local. Em contrapartida, representantes do movimento estudantil rebateram o pedido e criticaram o movimento realizado pelos educadores.

Os professores apresentaram um abaixo-assinado com mais de 500 nomes, entre servidores, técnicos administrativos e estudantes. ;Compreendemos que o foco do conflito não é interno à UnB, pois a razão da crise econômica é a Emenda Constitucional n; 95;, ressalta o texto apresentado pelos docentes. De acordo com o documento, o governo atual regrediu as políticas públicas de democratização do ensino superior e impediu que as universidades utilizem os recursos arrecadados.

Durante o ato, os participantes do movimento fizeram um círculo na entrada do Instituto Central de Ciências Norte (ICC) para ler o manifesto. Cerca de 100 pessoas compareceram ao local. Apenas no fim da solenidade, eles se posicionaram contra a ocupação dos estudantes e pediram a liberação da reitoria.

A reitora da UnB, Márcia Abrahão, compareceu ao ICC. No fim da apresentação do texto elaborado pelos professores, ela foi à frente e lamentou os desafios orçamentários enfrentados pela universidade e pela violência que marcou a manifestação dos estudantes na manhã da quinta-feira. ;Vamos ultrapassar essas dificuldades com união de diferentes formas de pensar, mas que tem um princípio comum, que é a defesa da universidade pública, gratuita, democrática e inclusiva. Pedimos que a comunidade se mantenha unida;, afirmou.


Gás e tiros

No início da tarde, estudantes da UnB que estavam concentrados em frente ao Ministério da Educação (MEC) foram dispersados por homens da Cavalaria da Polícia Militar. Os policiais também usaram bombas de fumaça, gás de pimenta e deram tiros com balas de borracha enquanto avançavam em direção dos alunos, que, sem reagir, correram e se espalharam pela Esplanada dos Ministérios e em direção à L2 Norte. Três estudantes foram detidos sob a alegação de desacato à autoridade. O protesto foi motivado pela crise orçamentária na UnB enfrenta.



Tags

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação