Pequenas grandes histórias

Pequenas grandes histórias

Brasília recebe encontro de teatro lambe-lambe com apresentações do Brasil e da América Latina

Isabella de Andrade Especial para o Correio
postado em 28/04/2018 00:00
 (foto: Victor Pereira/Divulgação)
(foto: Victor Pereira/Divulgação)

As infinitas possibilidades da criação cênica vêm à tona com a chegada do Encontro de teatro lambe-lambe de Brasília. Um novo mundo de possibilidades se abre entre as frestas das caixas que se transformam em palco. O objeto foi inspirado nas antigas câmeras fotográficas que circulavam entre as ruas de décadas passadas, o popular lambe-lambe. Pelas mãos de artistas habilidosos elas abrigam, atualmente, pequenas apresentações feitas, em grande parte, para um espectador.

O festival contará com a presença de Denise dos Santos, considerada uma das criadoras desta linguagem teatral no Brasil. Também chamado de teatro de caixa, miniteatro e caixa mágica, entre outros nomes ; surgiu no Brasil, em 1989, e se espalhou por países como México, Argentina, Chile e França.

Ao lado de Ismine Lima, Denise teve a ideia de criar pequenos espetáculos no objeto que logo entraria em esquecimento. ;Cada espectador traz, dentro de si, a expectativa de desvendar um segredo guardado naquele mínimo espaço cênico, é o protagonista de um espetáculo intimo-pessoal e intransferível;, destaca Denise.

Para ela, o gênero pode dialogar com todo tipo de público, considerando que ele é essencialmente imagético, permite a universalidade de entendimentos. Dentro das caixas, bonecos e objetos animados ocupam o protagonismo da cena.

O evento foi idealizado pelo grupo brasiliense As caixeiras cia. de bonecas e conta com 22 espetáculos em miniatura, sendo 18 nacionais e quatro internacionais, quatro shows, quatro intervenções artísticas e uma exposição de retratos de lambe-lambe, além de oficinas para formar novos caixeiros.

Amara Hurtado, uma das integrantes da companhia, lembra que esse tipo de teatro pode caminhar por espaços extremamente diversos, até mesmo uma biblioteca, onde não pode haver som. A versatilidade do lambe-lambe permite que as histórias contadas entre as caixinhas caminhem por grandes centros culturais e lugares de difícil acesso.

Para Amara, a possibilidade do olhar único do espectador é um dos aspectos mais bonitos e inspiradores nesse estilo teatral. ;A cumplicidade dos olhares, do segredo que se revela num piscar de olhos. Os espetáculos tendem a ser curtos, com 2 minutos. Em um tempo curtíssimo, uma pílula poética é compartilhada;, destaca.



Para o baiano Pedro Martins, integrante da companhia Gente baiana, de Porto Alegre, as caixas de histórias possibilitam criar uma experiência mágica entre as rotinas cotidianas. ;Em um lampejo de tempo é possível aprender com o miniteatro, se reconhecer lá dentro, como em um espelho. Nós amamos as pequenas expressões;, conta o artista.

A ideia é contar histórias que pinçam a lembrança de quem assiste, como um lembrete para os momentos bons vividos no tempo de antes e que podem ser revividos em cena. Para os artistas, a possibilidade de criar um laço íntimo com o espectador é a chance de dizer que aquela apresentação foi feita para ele, individualmente.

O processo de criação é artesanal e compartilhado pelos próprios artistas bonequeiros. Papel, madeira, palha, plástico e materiais naturais, tudo pode se transformar em possibilidade para compartilhar histórias. Os palcos em formato de caixa circulam pelos lugares mais diversos e, por onde passam, levam histórias que compartilham a cumplicidade e a delicadeza das pequenas coisas.


Encontro de teatro lambe-lambe
Hoje e amanhã, no Centro Cultural Banco do Brasil. A entrada é franca e a classificação indicativa, livre.

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