Duas perguntas para

Duas perguntas para

postado em 14/05/2018 00:00
 (foto: Arquivo pessoal)
(foto: Arquivo pessoal)

Madhumita Pandey,
doutoranda em criminologia pela Anglia Ruskin University, no Reino Unido

Na última semana, três mulheres foram estupradas e queimadas vivas. Por que tais casos têm se tornando comuns na Índia?
É inegável que, ultimamente, pudemos ver o aumento dos casos de estupro na Índia. Mas é importante termos em mente o tamanho e a diversidade do país. Todos os estupros não são os mesmos, e até esses casos não estavam relacionados. Fatores sociais e econômicos também desempenham papel-chave na perpetração dos crimes. Jharkhand é um Estado rural, que sofre de pobreza disseminada. O patriarcado profundamente enraizado concede aos homens o poder de dominar e ;controlar; as mulheres. Entre muitas coisas, a causa subjacente dessa violência brutal contra as mulheres pode ser atribuída a um desequilíbrio entre as tradicionais normas de gênero pré-existentes e as funções mais liberais das mulheres na sociedade moderna indiana. Elas começaram a fazer suas próprias escolhas, em vez de constantemente buscarem permissão dos homens em suas vidas. A resposta mais extrema a essa mudança repentina de poder pode ser vista na forma da violência sexual.


Sunil Fernandes,
advogado do pai da menina Asifa Bano, de 8 anos, estuprada e assassinada em janeiro
A senhora entrevistou mais de 100 estupradores confessos na Índia. O que mais a chocou?
Como minha pesquisa de doutorado está em processo de ser examinada, não serei capaz de compartilhar as descobertas em detalhes. Em linhas gerais, algo que conecta todos os participantes da pesquisa (homens condenados por estupro) foi a ideia distorcida de ;consentimento;. Esses homens não foram capazes de entender que suas ações constituíram estupro, pois não haviam buscado consentimento ou ignorado isso. Outra cadeia comum que ligava as narrativas foi a presença de mitos de estupro ; estereótipos sobre a violência sexual e as vítimas, apoiados e mantidos pela sociedade, e, portanto, usados para justificar o crime. Todos os participantes apontaram o dedo para o caráter das vítimas, chamando-as de mentirosas. (RC)

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