Batalha diplomática

Batalha diplomática

Irã tenta convencer os signatários do acordo nuclear a respeitarem o pacto, enquanto EUA quer que a União Europeia retome as sanções econômicas contra Teerã

postado em 14/05/2018 00:00
 (foto: Saul Loeb/AFP)
(foto: Saul Loeb/AFP)

Mesmo com a sinalização negativa da França, os Estados Unidos pretendem convencer os aliados europeus a impor sanções econômicas contra o Irã. Ontem, o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, afirmou à Fox News que quer costurar um acordo no Velho Continente para combater a ;conduta maligna; de Teerã. ;Espero que, nos próximos dias, ou semanas, consigamos um acordo que realmente funcione, que realmente proteja o mundo da má conduta iraniana, não apenas de seu programa nuclear, mas também de seus mísseis e de sua conduta maligna.;

Na semana passada, o presidente Donald Trump abandonou o acordo histórico firmado em 2015 pelas cinco potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (Rússia, Inglaterra, China e França, além do próprio EUA) mais a Alemanha, intermediado por seu sucessor, Barack Obama. Pelo trato, as punições comerciais contra o país do Oriente Médio foram canceladas, em troca do fim das pretensões nucleares iranianas. Agora, o governo norte-americano quer que as potências europeias façam o mesmo. O ministro francês das Finanças, Bruno Le Maire, porém, reagiu com irritação à sugestão de um novo bloqueio econômico contra Teerã.

;Queremos ser vassalos que obedecem a decisões dos Estados Unidos enquanto nos seguramos na barra de nossas calças? Ou queremos dizer que temos interesses econômicos e consideramos que devemos continuar a fazer comércio com o Irã?;, reagiu Le Maire, na sexta-feira passada. Por outro lado, a chanceler alemã Angela Merkel sinalizou simpatia pela proposta norte-americana. Ao longo da semana, diplomatas da França, da Alemanha e da Inglaterra discutirão com o ministro iraniano das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, os próximos passos do acordo, agora sem a participação norte-americana.

Em Pequim, Zarif começou ontem uma viagem para tentar salvar o pacto e proteger os interesses econômicos do Irã. Depois da China, ele viajará para a Rússia e a Bélgica, onde se reunirá com os representantes franceses, alemães e britânicos. ;Esperamos que, com essa visita à China e a outros países, sejamos capazes de construir um marco futuro claro para o exaustivo acordo;, declarou Zarif. ;A razão crucial dessa visita é iniciar o diálogo com as nações que permanecem no acordo sobre o programa nuclear iraniano;, acrescentou.
A decisão dos Estados Unidos de se retirarem do acordo foi criticada energicamente pela China. ;Estamos dispostos a ter discussões estratégicas oportunas com o Irã;, declarou o chanceler Wang Yi, na presença de Zarif. ;Estou convencido de que essas visitas permitirão aos outros países e à China compreender melhor a posição iraniana;, acrescentou. Já o ministro iraniano se mostrou mais cauteloso: ;Estamos prontos para qualquer possibilidade. Vamos ver como garantirão que os interesses do Irã sejam respeitados;.

Israel
Na entrevista à Fox News, o secretário de Estado norte-americano também falou sobre a mudança da embaixada dos EUA em Israel de Tel Aviv para Jerusalém. Contrariando todas as previsões a respeito, Mike Pompeo afirmou que acredita na possibilidade de um acordo de paz entre israelenses e palestinos. ;Certamente o processo de paz não está morto. Estamos trabalhando duro e esperamos encontrar uma saída favorável;, disse. A nova embaixada abre as portas hoje, coincidindo com o 70; aniversário da criação de Israel, em 1948. Um movimento que vai contra o consenso internacional de que o status da cidade seja decidido entre israelenses e palestinos.

A Organização para a Libertação da Palestina classificou a decisão dos Estados Unidos de transferir sua embaixada como ;uma provocação a todos os árabes;. Hoje, milhares de palestinos são esperados em um protesto na fronteira de Gaza contra a instalação da embaixada americana em Jerusalém.

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