Para jogar e confraternizar!

Para jogar e confraternizar!

Em uma época em que os eletrônicos dominam o mundo, o velho e bom jogo de tabuleiro sai do universo exclusivamente geek e ganha novos adeptos

Por Amanda Ferreira Especial para o Correio
postado em 27/05/2018 00:00
 (foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)
(foto: Marcelo Ferreira/CB/D.A Press)

Alguns dados, um bom grupo de amigos e muita imaginação: atenção, a partida começou! Longe de computadores e videogames, a magia se dá ali, em volta de uma mesa, com o tradicional ; hoje, nem tanto ; jogo de tabuleiro. Os clássicos, como War, Jogo da Vida e Banco Imobiliário, ainda fazem os jogadores virarem noites, mas há também quem se arrisque em títulos mais modernos, que se tornam atrativos por sua beleza e acabamento inovador. Gosto não é o problema. Basta selecionar tema, estratégia, quantidade de participantes e escolher entre tantas opções.

Os produtos aparecem mais aprimorados. Essa seria a razão mais evidente para o ;boom; dos jogos de mesa. Os melhores jogos, agora, são sociáveis, envolventes e fáceis de aprender, mas também trabalham o cérebro, são intrigantes e difíceis de dominar. Os jogos de celular e a série Game of Thrones deram, aos poucos, permissão para que os adultos que ainda não tinham interesse se envolvessem abertamente em passatempos antes considerados muito juvenis. Assim, o boardgame, como também é conhecido, é um exemplo de hobby analógico que, longe de ser morto pela tecnologia, foi revigorado por ela.

E, mesmo que o comportamento remeta ao universo geek ; ou nerd ;, ele não se restringe a essa tribo. De acordo com a Associação Brasileira dos Fabricantes de Brinquedos (Abrinq), 8,9% das vendas são representadas por esses produtos, o que gera um faturamento em torno R$ 600 milhões por ano. Títulos clássicos continuam conquistando novas gerações, mas os novos, cada vez mais dinâmicos, colaboram para esse retorno de interesse.

Aqui na capital, cada bar, esquina e encontro de amigos pode ganhar a companhia de um bom jogo. Os que não sabem jogar não se acanham: entre companheiros, o clima é de descontração e aprendizado. Facilmente contabiliza-se mais de cinco casas especializadas em jogos de tabuleiro por aqui. Apesar de ser um mercado ainda em crescimento, é notável o esforço dos donos para que os locais sejam cada vez mais movimentados e especiais ; de bar medieval a taqueria, existem opções para todos os gostos.

Pela internet, canais no YouTube fazem apresentações e tutoriais sobre os mais diferentes títulos; blogs crescem falando sobre o tema; eventos por todo o mundo reúnem apaixonados; editoras desenvolvem novos boardgames; e nas lojas, a surpresa de vitrines cheias de jogos nunca vistos antes. Como não poderia ser diferente, apaixonados mostram, com orgulho, suas coleções e jogos favoritos. Eles garantem que o gosto passa de geração para geração e reforça diversos ensinamentos da infância.

Olho no olho

Até para os que já conhecem a variedade e os encantos dos jogos, entrar na sala principal da Orgutal pode ser surpreendente. A casa de jogos foi a primeira de Brasília e conta com mais de 600 títulos no acervo. Lugar simples, de apenas um dono. Quando batemos na porta, lá está ele: Luiz Cláudio da Mata, o arquiteto de 34 anos, organizando algumas coisas na pequena geladeira. Apesar de nos oferecer algumas bebidas, ele confirma que esse não é o foco do local ; os snacks são para os visitantes se sentirem em casa, mas a essência está nas centenas de jogos organizados pelas prateleiras.

;Tudo começou com meia dúzia de jogos;, lembra. A experiência na tentativa de abrir outros negócios e na profissão de arquiteto fez com que Luiz entendesse o que a cidade precisava, há sete anos. ;Tive a ideia por conta da demanda. Meus amigos e eu tínhamos muita dificuldade em achar um lugar para jogar. Nunca fui um apaixonado, mas vi nessas pequenas peças a oportunidade de fazer algo inovador.;

Logo na abertura, para a surpresa do dono, a casa já recebeu 150 visitantes. O local, na 205 Norte, foi escolhido com carinho e planejamento: perto do centro e com a superquadra como cartão-postal. ;Imaginei que quem visse fotos já saberia que estamos falando de Brasília;, explica. Em cada história e fala do arquiteto, é possível ver seu amor pela cidade e sua vontade de reconhecimento, também na área dos boardgames. ;Brasília é capital de tanta coisa. Por que não dos jogos?;, imagina.

Projetando inovação

Quem visita o local se senta em volta de uma grande mesa para jogar. E o dono garante que sempre há espaço para mais um. ;Eu queria colocar as pessoas em contato. Mesa no meio e olho no olho. A interação social é o que me faz estar aqui, essa questão de passar os valores. Não sirvo coisas em bons copos, não tenho as melhores comidas. Aqui, o que vale é a paixão pelos jogos;, afirma Luiz.

Paixão essa que fez com que o arquiteto aprendesse a explicar quase todos dos 600 títulos do local. Ele garante que aprender as regras de um jogo é como ler um bom livro ; depois que se gosta, procura-se outras obras de um mesmo autor e, de repente, se tem inúmeras coisas de qualidade nas mãos. ;Quem entende o mínimo que seja desse mundo de jogos sabe como é curioso cada regra, cada tipo, cada tema. Eles não são mais como antes. Hoje, é um hobby que exige investimento.;

Investimento que, para a empresa de Luiz, é feito apenas no Brasil. ;Comprar do exterior está bem complicado, mas o bom é que não vejo tanta necessidade. O mercado daqui cresceu muito.;

Quem passa na casa durante o funcionamento sempre vai encontrar Luiz e seus monitores. A Orgutal também trabalha com a venda de alguns títulos e artigos para jogos. ;Como meu foco agora são os jovens e adultos, ainda quero fazer um espaço infantil, colocar uma cozinha e acrescentar outros tipos de jogos;, planeja. Além disso, outros projetos ainda vêm por aí. ;Dizem que um empresário tem que ter em mente o que ele quer para daqui a cinco, 10 anos. Eu, como urbanista, vejo uma cidade para daqui a 200 anos!”

Os mais populares

Alguns jogos nunca saem de moda. Outros chegam ao mercado com aquela coisinha a mais.


Jogo Monopoly, da Hasbro (R$ 99,99)


Clue Clássico, da Hasbro (R$ 99,99)


Star Wars X-Wing, da Galápagos Jogos (R$ 279,90)


Mysterium, da Galápagos Jogos (R$ 249,90)


Banco Imobiliário, da Estrela (R$ 129,99)


Jogo da Vida, da Estrela (R$ 129,99)

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