Nova fase, novos desafios

Nova fase, novos desafios

Em entrevista, Caco Ciocler fala sobre o momento atual, em que dá vida a Edgar em Segundo Sol, um dos personagens mais instigantes da carreira

Por Adriana Izel
postado em 27/05/2018 00:00
 (foto: Montenegro e Raman/Divulgação)
(foto: Montenegro e Raman/Divulgação)
Desde que foi anunciado na novela Segundo sol, Caco Ciocler, 46 anos, tem chamado a atenção. O motivo é que, depois de uma breve participação em Deus salve o rei, o ator apareceu quase irreconhecível. Para dar vida a Edgar, que na primeira fase da novela tem 30 anos, Caco achou que devia passar por uma transformação visual. ;A gente não emagrece para viver o personagem, mas para deixar de ser a gente;, diz.

Logo na primeira semana da novela, o personagem se tornou um dos assuntos mais comentados do Twitter, para surpresa de Caco: ;Nasci em 1971 e nunca tinha ouvido falar em trending topics até me tornar um;. Na trama, o personagem viverá um dilema com Roberval, papel de Fabrício Boliveira, que, apesar de ter sido criado como filho da empregada, é, na verdade, irmão de sangue de Edgar. ;É uma discussão riquíssima. Estamos humanizando essa relação para não ficar algo do branco contra o negro, embora a discussão seja sobre isso e vá mergulhar nisso. Mas é uma história, na minha opinião, que tem dimensões quase bíblicas: dois irmãos separados, um com direito a tudo, e outro com direito a nada;

Você volta à televisão em um personagem bem mais jovem no mesmo momento em que anunciou que será avô. Como é viver essa contradição?
A contradição é uma coincidência. Eu achei engraçado nesse momento que eu tive que rejuvenescer na ficção, eu tive a notícia... Porque quando você recebe a notícia de que vai ser avô, você envelhece automaticamente e tem uma noção do tempo, que eu não tinha tido até então.

Ficou surpreso ao saber que faria um personagem mais jovem nessa primeira fase da novela?
Na verdade, quanto teve o convite não houve essa ênfase de que o personagem teria 20 anos a menos. Só tive noção quando a gente fez uma primeira leitura dos capítulos. Então, me veio essa preocupação, como ator mesmo. Como que eu ia resolver isso dramaticamente falando? E teve essa história do Dennis (Carvalho, diretor de Segundo sol) comentar, claro que de brincadeira, que seria legal se eu emagrecesse. E acho que fisicamente a gente muda muito. Ele era um playboy na primeira fase, ficava na piscina de casa. Comecei a imaginar que esse cara seria alguém que cuidaria do corpo, que faria musculação.

O seu núcleo fará um debate muito importante na novela, principalmente depois das críticas em torno da ausência de negros no elenco. Como você analisa isso?
O Roberval, pelo menos por enquanto, tem uma importância quase que de protagonista e é uma discussão muito bonita e rica. O João (Emanuel Carneiro, autor da novela) criou essa relação desses dois irmãos de uma maneira genial, porque eles crescem na mesma casa como irmãos sem saber que são irmãos. Então a relação já está estabelecida. O personagem do Fabrício assistiu ao Edgar vivendo uma vida à qual ele não tinha direito. E depois ele descobre que, sim, tinha direito (porque eles são filhos do mesmo pai). Então, quando a coisa explode, eles já têm uma relação muito forte de irmãos.

O que você pode contar sobre as mudanças de Edgar em cada fase de Segundo sol?
Os personagens do João costumam ser bastante complexos e dão muitas voltas. Então, ele vai passar por muitas transformações. Mas a transformação básica da primeira para a segunda fase é que ele é um cara pouco preparado pela vida, que nunca precisou trabalhar, fazer esforço, um privilegiado.

Você sempre costuma se manifestar nas redes sociais sobre questões políticas e sociais. Você acha que é importante para o artista ter esse papel também?
Acho que é uma decisão muito pessoal, não acho que é uma obrigação. Mas acho que as pessoas todas estão entendendo que não dá para ficar de fora das decisões que estão sendo tomadas no mundo. Você ficar de fora, já é uma decisão política. Nós temos que cuidar da nossa casa, da nossa política, do nosso planeta. Ter essa consciência e se posicionar, acho legal. Agora não vou sair dizendo que todo artista tem que fazer isso, acho que é uma coisa íntima.


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