Paralisação perde fôlego

Paralisação perde fôlego

Depois da decisão contrária do TST, petroleiros encerram a greve contra a política de preços praticada pela Petrobras

» Gabriela Vinhal
postado em 01/06/2018 00:00
 (foto: Ramon Bitencourt/O Tempo)
(foto: Ramon Bitencourt/O Tempo)


A greve dos petroleiros, convocada até o fim da noite de hoje, durou pouco mais de 24 horas. Vinte e cinco plataformas estavam paralisadas, além das bases administrativas de Macaé, no Rio de Janeiro. O recuo ocorreu após decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) de aumentar de R$ 500 mil para R$ 2 milhões a multa diária aplicada aos sindicatos que aderissem ao movimento. Entre as principais reivindicações da categoria, estava a política ;abusiva; de preços da Petrobras, que, por sua vez, foi defendida pelo presidente da estatal, Pedro Parente, nas redes sociais. O discurso surpreendeu os trabalhadores, que acusam falta de diálogo por parte da direção. No próximo dia 12, prometem se reunir para anunciar uma nova data para decretar greve por tempo indeterminado.

Em um vídeo que circulou nas redes sociais, Parente reconhece que os últimos dias foram difíceis para a estatal e avalia que o momento é ;um teste importante; e um ;aspecto fundamental; sobre a política de preços. O presidente da petroleira afirmou ainda que, embora questionado, o ajuste diário nos valores dos combustíveis é uma atitude necessária: ;Essa frequência não foi uma escolha caprichosa. Se os reajustes fossem mensais, ficaríamos muito expostos a um risco de perda de participação de mercado. Nos últimos meses de 2017, nosso marketshare em diesel chegou a cair a 67% do mercado;.

O presidente da Petrobras celebrou ainda as melhorias conquistadas pela estatal nos últimos dois anos, como a diminuição do endividamento e, até mesmo, a melhora nos índices de segurança. ;Temos feito um trabalho contínuo, dedicado, defendendo a empresa, e é o que nós da diretoria continuaremos a fazer;, conclui Parente. Os preços dos combustíveis têm sofrido alterações constantes desde 2017, quando a Petrobras passou a reajustar os valores de acordo com a cotação do mercado internacional. De lá para cá, os números subiram aproximadamente 30%, o que motivou uma paralisação de caminhoneiros em todo país.

Queixas

O coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), José Maria Rangel, desabafou que, embora a categoria tenha recuado, a greve dialogou com a pauta da sociedade que não aguenta mais pagar preços abusivos sobre os combustíveis. ;Desmascaramos Pedro Parente, que causou os segundo apagão no nosso país e está entregando nossa empresa para o capital internacional;, completou. Além disso, comentou sobre a decisão do TST: ;Mostramos também o lado da justiça do trabalho, que é do capital e de criminalizar os movimentos sociais;.

A categoria reivindica, principalmente, a redução dos preços do gás de cozinha e dos combustíveis; a suspensão das vendas de refinarias do Nordeste e do Sul do país; a manutenção dos empregos e retomada da produção interna de combustíveis; o fim da importação da gasolina e outros derivados de petróleo; o fim da privatização e do desmonte do Sistema Petrobras; e a demissão do Pedro Parente da presidência da Petrobras.

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