Premiê direitista por um fio na Espanha

Premiê direitista por um fio na Espanha

postado em 01/06/2018 00:00
 (foto: Oscar Del Pozo/AFP)
(foto: Oscar Del Pozo/AFP)

Os cinco deputados do Partido Nacionalista Basco (PNV) devem decretar o fim do governo do direitista Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), primeiro-ministo da Espanha desde o fim de 2011. Na tarde de ontem, a adesão da pequena legenda regional deu ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE, centro-esquerda) a maioria necessária para aprovar uma moção de censura ao gabinete, em votação prevista para hoje. Rajoy, que sobreviveu à tormenta política desfechada no ano passado pela tentativa de independência da Catalunha ; a pior crise no país desde a redemocratização, nos anos 1970 ;, viu sua posição ameaçada há uma semana, quando o PP foi condenado em um vasto escândalo de corrupção envolvendo doações ilegais de empresas em troca de vantagens em licitações.

;A sua permanência na presidência do governo é daninha;, disse a Rajoy o líder socialista, Pedro Sánchez, durante o debate de ontem no parlamento. ;É um fardo não apenas para a Espanha, mas também para o seu partido;, completou. Rajoy, que encabeça um governo de minoria desde o impasse político que resultou das eleições de dezembro de 2016, respondeu criticando o ;oportunismo; do adversário. ;Trata-se, aqui, de que o senhor Sánchez entre (no governo). Tudo o mais é literatura. O importante é que ele entre, isso sim, sem passar pelas urnas.;

Com uma bancada de 84 deputados, o PSOE precisou negociar adesões para reunir a maioria necessária de 176 votos entre os 350 integrantes das Cortes (parlamento). Desde que apresentou a moção de censura, na última sexta-feira, Sánchez contava com os 67 parlamentares do Podemos (esquerda radical). A adesão do PNV e de outras formações regionais bascas e catalãs dá ao líder socialista ao menos 180 votos, margem considerada segura para derrubar o gabinete direitista.

A manobra do PSOE neutralizou a iniciativa do partido liberal Cidadãos, que integra o governo de Rajoy e defende a sua saída, mas resiste a entregar o comando do país à centro-esquerda. A tentativa de articular uma eleição antecipada esbarrou nas resistências de outros partidos e deixou isolado o Cidadãos, que cresce nas pesquisas de opinião e aposta em sair das urnas na posição de fiel da balança para uma futura maioria.

Sánchez, porém, terá dificuldades para costurar uma base de sustentação parlamentar. O líder do PNV, Aitor Esteban, antecipou que o país deve ter a partir de hoje ;um gabinete frágil;. No discurso de ontem o líder socialista anunciou planos para formar um gabinete ;puro-sangue;, com o apoio de outras formações. ;Um gabinete europeísta, para garantir a estabilidade orçamentária e econômica;, garantiu. Nos meios políticos espanhóis, é dada como muito provável a convocação de eleições antecipadas, em prazo a ser negociado entre os partidos.




176
Total de votos necessário para aprovar
a moção de censura ao governo

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